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El Periódico Extremadura | Domingo, 26 de janeiro de 2020

Jornalismo e publicidade

Chama a atenção as críticas dalguns e as defesas de outros quando um anunciante ‘compra’ a capa de um jornal

ANTONIO Cid de Rivera
08/12/2019

 

Não me importam as críticas dos leitores ao jornal. É mais, acredito/acho que são sãs e nos permitem melhorar e crescer num produto que nasce e morre cada dia em seu acordo/compromisso com a sociedade. No entanto, o {confieso}, não gosto que alguém de fora venha a dar-me lições de jornalismo, sobretudo se o juízo {sumarísimo} procede da classe política. Agora, o que me fica {ojiplático} é quando vejo como se indigna mais dum de dentro da profissão com as críticas que nos chegaram nesta semana a todos os jornais de papel pela famosa capa de Endesa.

A companhia elétrica espanhola investiu em publicidade para dominar no mesmo dia (na segunda-feira passada) a primeira página da maioria dos rotativos nacionais e regionais com uma larga/ampla informação sobre/em relação a seus projetos. No Jornal Extremadura também fizemo-lo. A sensação ao ter o jornal nas mãos foi estranha.

Essas críticas nos acusam de que estamos vendidos ao poder/conseguir, neste caso ao duma multinacional, que é quem dita que devemos escrever e a favor de quem. Nem muito menos é assim.

O vou a explicar: os jornais têm várias fontes de financiamento para que os jornalistas possamos ter um ordenado como qualquer outro trabalhador. E uma dessas fontes é a publicidade. Obviamente se alguém paga por ter visibilidade, exige uma posição privilegiada e um bom trato. Acontece na vida, em geral, quem vai um espetáculo e compra bilhetes de fundo ou de tribuna. Cada uma tem seu preço porque estão melhor ou pior posicionadas.

Os jornalistas não {pululamos} num universo idílico alheio à realidade. Já nos gostaria. Em nosso mundo, como no de todas as profissões, também manda a conta de resultados. Por isso estamos sempre num atira e {afloja} que nos permite sobreviver e fazer jornalismo. Porque ambas coisas são possíveis. Porque existe esse equilíbrio que se evidencia no estreitamente que fazemos cada jornada. Um dia a capa é de Endesa ou qualquer outro anunciante e ao seguinte a protagoniza, {Elsa}, a menina transexualidade de 8 anos cujo discurso na Asamblea de Extremadura para defender sua felicidade deu a volta a Espanha e tem soado no estrangeiro. Assim é o jornalismo. Assim é a vida.

Como dizia, não temos vivido nunca à margem da sociedade na qual manda o poder/conseguir económico. E como mencionava ao início, me {quedo} {ojiplático} com alguns indignados pelas críticas argumentando que os jornalistas também comemos; são os mesmos que se enchem a boca de liberdade e independência para tentar diferenciar-se de outros dizendo que eles sim, e os demais não, fazem jornalismo porque são livres. Lhes tenho ouvido também juízos de valor como «se tu não ordenados por teu informação, alguém estão a pagar por ela» para injuriar, por exemplo, a imprensa gratuita.

A capa de Endesa, para bem ou para mau, nos iguala a todos. E eu, que levo mais de 25 anos de profissão em diferentes meios de comunicação, posso dizer que quem esteja livre de pecado que atire a primeira pedra.

Nesta casa o temos claro, e encontrámos o equilíbrio. E sim, {ofrecemos} jornais gratuitos, A Crónica de Badajoz ou O Jornal de Plasencia ou O Jornal de Almendralejo, com grandes jornalistas que cada dia {dignifican} a profissão. Jornais que fazem denúncia social, que recolhem/expressão as queixas dos bairros, que questionam as decisões políticas, que são referente em sua cidade, que cada dia se coam em 3.000, 6.000 ou 4.000 lares dependendo de cada população. E que se financiam só/sozinho com publicidade. É compatível. Assim de fácil.

O que alguns estão descobrindo agora ou o que alguns agora têm que defender aqui já o sabemos de sobra no Jornal Extremadura.

Ora bem, embora este jogo funcione desde há séculos, embora imprensa e publicidade convivam com essa natureza, não implica que seja a melhor nem a única opção. Que as coisas sejam assim de sempre não significa que não se possam questionar. Bem pelo contrário.

{Unamos} forças para lançar uma mensagem à sociedade em seu conjunto/clube: não podemos renunciar a capas como a de Endesa porque queremos continuar a fazer jornalismo. E como os leitores deixaram de ir aos quiosques a comprar nosso produto de forma massiva como acontecia antes e nós temos abraçado o modelo digital do gratuito total (com todas suas consequências), ¿que nos fica? {Reflexionemos} todos. Mas sem hipocrisias, por favor.

E não passa nada por fazer um pouco/bocado de autocrítica. É bom, é são, nos ajuda a crescer. É sinal de madurez, segurança e também de fortaleza.

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