Menú

El Periódico Extremadura | Domingo, 19 de janeiro de 2020

Johnson, até uma vitória {divisiva}


08/12/2019

 

Nada parece suficiente para evitar a vitória de Boris Johnson nas eleições legislativas que se celebrarão no Reino Unido na próxima quinta-feira. Não só/sozinho porque, segundo as sondagens, saiu vencedor do debate de sexta-feira com {Jeremy} {Corbyn}, mas porque o último ás que se tem tirado da manga o líder {laborista} apenas fez {mella} no eleitorado conservador, que outorga escassa solvência aos desastres que vaticina um relatório/informe do Departamento do Tesouro, especialmente nos intercâmbios económicos entre Irlanda do Norte e o resto do país se se consuma o {brexit} e se aplica o acordo fechado com a União Europeia. Num ambiente menos perturbado pela possível saída do clube europeu, a ocultação do relatório/informe por Johnson certamente teria debilitado suas expectativas eleitorais, mas no seio duma sociedade muito dividida, os molas emotivas que operam no bando {brexiteer} são suficientes para neutralizar qualquer mudança de tendência.

A última sondagem, conhecida ontem, outorga 10 pontos de vantagem aos conservadores, o que é tanto como vaticinar que os {tories} far-se-ão com a maioria absoluta {savo} surpresa maiúscula e que os unionistas {norirlandeses} do {DUP} deixarão de ser a muleta necessária para completar a maioria, e pouco/bocado importarão seus temores acerca do futuro da economia do {Ulster}. Coisa diferente é que estes temores e reservas se façam extensivos à comunidade católica, compliquem a relação entre as duas Irlandas e entre em crise a paz trabalhosamente edificada pelo acordo de Sexta-feira Santo de 1998.

Nem a reação a última hora da direção {laborista} nem a mobilização do eleitorado jovem, maioritariamente partidário de permanecer na União Europeia, parecem ingredientes suficientes para desmentir as sondagens. Na verdade, o frente {remainer} se tem sentido {desasistido} e órfão de liderança durante muito tempo, bloqueado o {laborismo} pelo alma eurocética de {Corbyn} e seu plantel/elenco e por seu falta de resolução para enfrentar-se aos pregadores do {brexit}. Uma situação que na prática permitiu ao conservadorismo mais antieuropeu fixar a agenda desde que {Theresa} May aconteceu a David Cameron e o debate político deixou de girar demasiado a miúdo em torno da utilidade e as consequências que terá a saída, completamente sombrias, para reduzir-se a sucessivas aproximações sobre/em relação a como efetivar o {brexit}.

Mesmo no muito improvável caso de que Johnson não consiga na quinta-feira a vitória, a divisão da sociedade britânica está garantida por um longo/comprido período de tempo. Muitos dos elementos {cohesionadores} duma comunidade -projeto de futuro, a dualidade campo-cidade, as relações com os aliados, entre outros- têm entrado em crise porque qualquer debate se desenvolve entre dois visões irreconciliáveis do papel que corresponde ao Reino Unido no mundo do século XXI. O que outorga à votação de quinta-feira um carácter {insólitamente} dramático vivido em poucas ocasiões desde/a partir de o final da segunda guerra mundial.

As notícias mais...