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El Periódico Extremadura | Sexta-Feira, 14 de dezembro de 2018

¿Independentismo sem nacionalismo?

O discurso independentista se {ciñe} ao mote dos catalães são um povo/vila sem estado

VÍCTOR Bermúdez
10/01/2018

 

Uma vez ficou claro que o «{procesismo}» catalão não ia de regenerar a política ou mudar a sociedade (se votou massivamente ao jogo/partido de sempre, ao de Pujol, o 3%, e os cortes em educação ou saúde), o discurso independentista se tem reduzido a seu argumentário mais próprio, consistente em: (1) os catalães são um povo/vila sem estado; e (2) aos catalães lhes iria muito melhor sem (o resto de) os espanhóis. Ora bem, dado que esta segunda ideia não parece já tão clara (sair da UE suporia um custo maior que o de deliberar-se do ‘espólio fiscal’ que alegadamente se sofre), só/sozinho fica segurar-se à primeira: a do {esencialismo} nacionalista. Uma ideia que, no entanto, alguns independentistas dizem ter superado.

¿Pode ter independentismo sem nacionalismo, como {claman}, entre outros, o filósofo Xavier Rubert de Ventós? Depende de que independentismo. Se é o que reivindica uma «república catalã», obviamente, não. A legitima aspiração a um estado mais republicano, democrático e eficiente justifica querer uma república. Mas querer que esse república seja, além disso, «catalã», ou é a delirante estratégia da esquerda que –increivelmente– vê numa das regiões mais ricas e liberais de Europa a semente de um mudança antiliberal, ou é, mais bem (dadas as preferências eleitorais dos catalães, muito longe de a {CUP} e Podemos), puro e duro nacionalismo, isto é, pura crença irracional em que «o catalão» implica virtudes políticas (das que carece, por de imediato, «o espanhol») que, entre outras coisas, o fazem mais propensa ao espírito republicano e aos avanços democráticos.

¿E que é isto de «o catalão» (ou, se querem, o espanhol, o basco, o escocês...) e em que sentido serve para justificar politicamente algo? «Ser catalão» (ou espanhol, etc.) não tem sua razão de ser na convivência, ou em idílicas comunidades de base. «Ser catalão» (espanhol, etc.) consiste em pertencer a «algo» mais {abstracto} e «grande»; «algo» que te une a pessoas distantes no espaço e o tempo mais que a teus vizinhos/moradores do povo/vila (aragonês, português, {riojano}...) de ao lado, algo que te identifica com uma «história» sobre/em relação a a história comum, com uma língua que se supõe muito mais que um veículo para pensar e falar (porque «{catalaniza}», «{españoliza}», etc., o pensado e o dito), com uns costumes na qual «ecoam os ecos dos antepassados», e até com uns alegados traços culturais, e até psicológicos, que servem para {arrogarse} certa superiodidade moral (por exemplo, segundo Rubert de Ventós, o suposto cosmopolitismo do catalão face à pobre «identidade monográfica» do «castelhano»)...

Este {esencialismo} nacionalista (por falso e caricatural que pareça) não é nenhuma parvoíce; é um recurso ideológico de primeira ordem para legitimar as fronteiras, a apropriação de recursos e a instituição de estruturas sócio-políticas que não se deixam instituir democraticamente. Pois a democracia serve para «fazer república», mas não para fazer «repúblicas catalãs» (nem, em geral, nações). As fronteiras ou a propriedade de um território não se votam; precisamente porque se vota a partir (e em virtude) delas. A nação é um facto/feito {pre}-democrático: votam os catalães (ou os espanhóis, ou os europeus...). O dia em que a coisa realmente «vá de república e democracia», {votaremos} todos, e acabar-se-ão as nações. Todas.

Por isso de independentismo sem nacionalismo, nada. Outra coisa seria que Rubert de Ventós, consequente com seu cosmopolitismo, defendesse outro tipo de independentismo. Por exemplo, o das pessoas em relação aos {esencialismos} que, como o nacionalista, lhes impedem o conquista duma plena autonomia racional.

Porque o ser humano é um ser social, e é normal/simples que nas fases iniciais de sua vida construa sua identidade em torno dos «ídolos da tribo». Mas para além de isto as pessoas alcançam a maioria de idade quando conseguem desfazer-se daqueles (e de outros muitos) mitos. A liberdade dos «povos/povoações»” não está mau. Mas as mentes povoadas livremente de ideias estão muito melhor. E são, além disso –este sim– o verdadeiro fundamento da democracia.

* Professor de Filosofia.

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