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El Periódico Extremadura | Quinta-Feira, 2 de abril de 2020

A imparável onda feminista


09/03/2020

 

Há alguns fatores que faziam que o 8-M deste ano fora diferente ao de anteriores edições. Um deles é a epidemia de coronavirus, que podia travar a afluência de pessoas às manifestações que se convocaram, pelo temor a um contágio. A expansão mundial do {covid}-19 tem empurrado a cidadãos, empresas e instituições a {extremar} as medidas de precaução, e inclusivamente se têm suspendido congressos, atos desportivos e outros acontecimentos massivos. Entrava, pois, dentro da normalidade que as ações feministas do 8-M não foram tão multitudinárias como noutras anos.

Outro fator distintivo tem a ver com o calendário: que a jornada reivindicativa fora em domingo desincentivou a convocatória duma greve feminista a nível estatal. Por isso, o 8-M {fuer} menos vistoso nas ruas, mas a mensagem feminista segue/continua vivo e vigente. Há razões de restos para reivindicar a igualdade. As notícias que recebemos diariamente, desde/a partir de os assassinatos machistas até à brecha salarial ou os casos de acosso como os admitidos, após seu {mea} culpa, por personagens como Plácido Domingo, bastam por si sós para seguir/continuar nesta batalha. Nem o coronavirus nem o facto/feito de que o 8-M {cayera} em domingo diminuíram um ápice à força da reivindicação.

O Dia da Mulher deste ano coincidiu além disso com a flamejante aprovação no Conselho de Ministros da lei de violência sexual. À margem de interpretações políticas, esta lei é uma das manifestações mais claras do que pode conseguir o ativismo e a luta feminista. Sem a pressão social e a indignação que despertou a primeira sentença da {Manada}, que qualificava de abusos o que finalmente o Supremo acabou considerando violação, não se teria produzido a mudança legislativo que põe no centro o consentimento expresso a manter relações sexuais. Em definitiva, que só/sozinho sim é sim.

Este avanço se tem visto embaciado, não obstante, pelo confronto entre os dois sócios do Governo de coalizão, PSOE e Podemos. As desavenças entre os ministérios de Igualdade e de Justiça, avivadas com a acusação de «machismo» de Pablo Iglesias a este último, fez que a bronca política {arrebatara} o protagonismo ao conteúdo da lei.

A divisão dentro do Governo não é a única que, lamentavelmente, vista este 8-M. O movimento feminista se encontra fragmentado em multiplas frentes, gastando energias em batalhas internas, ignorando que para conseguir as mudanças profundos que necessita esta sociedade temos de ir todas a uma.

Um revisão às discriminações de género que se seguem/continuam perpetuando demonstra que não podemos descer a guarda. As estatísticas indicam que as mulheres têm mais risco de cair na pobreza e que açambarcam os empregos precários. Que aumentam os crimes machistas (55 assassinadas em Espanha o 2019, a cifra mais alta nos últimos cinco anos). Que apenas há cientistas liderando projetos que sirvam de referente a meninas e jovens. Mas também há conquistas: a mencionada lei do sim é sim ou o alargamento do autorização/ licença de paternidade (que facilita a conciliação). Enquanto alguns reacionários se remexem por manter os privilégios de um sistema {patriarcal} antiquado, a onda feminista avança imparável.

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