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El Periódico Extremadura | Quinta-Feira, 2 de abril de 2020

O horizonte da {coeducación}

RAÚL Fernández Martínez
08/03/2020

 

Quebrar as dinâmicas {segregadoras}, nas que as relações entre homens e mulheres estão condicionadas pela posse, as falsas expectativas ou os direitos adquiridos, é o maior/velho repto/objetivo do sistema educativo no século XXI. Assim o acaba de assinalar um estudo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento ({PNUD}), segundo o qual não há ainda uma só mulher no planeta que vá a conhecer a igualdade de género. A escola, juntamente com a família ou os meios de comunicação, continua a ser um espaço de socialização no qual {interiorizamos} {sesgos} de género que acabam convertendo-se em inibidores de oportunidades que reforçam os tetos de vidro baixo/sob/debaixo de os que somos educados. Tudo isto apesar de que a docência nos níveis prévios à universidade está dada maioritariamente por mulheres ou, talvez, por causa de isso.

A celebração do Dia Internacional da mulher deveria ser, pois, uma oportunidade para voltar a repensar a {coeducación}, sobretudo porque nos {encontramos} às portas duma nova lei educativa, num contexto no qual a escola privado-concertada não cessa de ganhar terreno baixo/sob/debaixo de a falácia da liberdade de eleição dos pais. Um dos eixos transversais da nova lei de educação é, precisamente, a perspectiva de género e a {coeducación}. A {LOMLOE} considera, além disso, que um dos seus grandes reptos/objetivos {esaumentar} as vocações científico/cientista-tecnológicas entre as raparigas.

Educação, liberdade ou igualdade som conceitos/pontos {abstractos} suscetíveis de multiplas interpretações, muitas delas trapaceiras e incoerentes. {Recordemos}, por exemplo, que a Declaração de Independência dos Estados Unidos afirmava que todos os homens som iguais e estão dotados de direitos {inalienables} como a liberdade. {Sorprendentemente}, esta afirmação não foi incompatível com a defesa da escravidão e da segregação racial. Da mesma maneira, hoy convivem maneiras muito diferentes (e enganosas) de entender a liberdade e a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres. Tanto/golo é por isso a educação religiosa que se dá em muitas escolas concertadas está submetida a uma autoridade, a episcopal, que defeito de ideologia relativa e dissolvente dos valores cristãos à perspectiva de género. Por outro lado, seguem/continuam existindo colégios privadas, sustentados com fundos públicos, que segregam às pessoas em função de seu sexo em nome da liberdade e do direito à educação.

Muitas destas incongruências se devem a que a Constituição Espanhola não é o suficientemente explícita para denunciar que projetos educativos atentam diretamente contra os direitos das mulheres. De facto, muito poucas Constituições no mundo aludem à necessidade da {coeducación}. Sim o faz, por exemplo, a de Equador de 1988, em seu artigo 67.2, que afirma que o Estado promoverá a equidade de género e propiciará a {coeducación}. Se isto fora assim em nossa Carta Magna, teríamos alguma base para denunciar, não já o financiamento pública de certas colégios privadas, mas mesmo sua própria existência. Entretanto, é importante {recordar} que a escola pública é a única garantia de que o direito à educação se interprete como direito à {coeducación}, já que somente desde/a partir de seus salas de aula o Estado pode, através dos docentes, desenvolver meios eficazes para que nenhuma prática ou mensagem educativa segregue às pessoas em função do sexo. A profissão docência deve interiorizar, ao fim, que a perspectiva de género é uma exigência de justiça social, um desejo de igualdade plena entre seres humanos radicalmente independente de qualquer interesse/juro ideológico ou partidarista.

{Coeducar} significa desenvolver as capacidades e sentimentos das pessoas para que, ao chegar a a idade adulta, não se vejam condicionadas pelos {roles} que a sociedade prescreve para cada sexo. Livres dos {grilletes} do género, as pessoas podemos decidir que opções vitalistas/vitais se ajustam mais a nossos desejos e a nossas necessidades.{Convirtamos} este horizonte de igualdade e de emancipação definitiva numa realidade tangível para as gerações presentes. H

*Professor de Filosofia,

delegado do Sindicato PEDE.

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