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El Periódico Extremadura | Domingo, 21 de janeiro de 2018

Gestão e política

Em tudo deve ter primeiro ideologia, um projeto, logo já virá a gestão

JOSÉ L. Aroca
07/01/2018

 

Me segue/continua espantando, e zangando, que no tema Catalunha, e desde o resto do país e as forças políticas unionistas, siga/continue sem fazer-se didática política, formulação ideológica alguma, sobre/em relação a a conveniência da pertenença desse território a este projeto de 500 anos nos que os catalães estão desde o princípio, através do Reino de Aragão, e a existência de argumentos em prol de um ideal de convivência e solidariedade, justiça social e progresso.

Os nacionalistas têm umas ideias força muito claras, embora as pudéssemos considerar algumas trapaceiras. Nos últimos anos uma delas é o péssimo funcionamento de Espanha, a corrupção, o adiamento permanente dos grandes problemas reais; por exemplo o défice fiscal num país cujo atraso são os rendimentos mais que as despesas públicas, as {corruptelas}, o desemprego ou a distribuição do trabalho, as pensões,… Tudo isso sintetizado num ‘Espanha é corrupta e nos rouba’, e no também trapaceiro e demagógico acrescentado de que ‘e além disso todos são franquistas’.

Quando se mistura certa situação de superiodidade real, como é o excelente funcionamento do sistema social e económico catalão, com a raiva do qual nos roubam, e se introduz a sensação de que é o momento político pela crise do bipartidarismo espanhol de ondear a independência para no fim tirar as periodicamente concedidas contrapartidas económicas, a situação explora.

Perante isso Rajoy não tem oposto o mínimo argumento verdadeiramente político, o ideológico, que também pode perfeitamente roçar o emocional e sentimental; o galego é um gestor, não há mais, lhe {calza} perfeitamente como {registrador} da propriedade, mas {chocaría} o que {accediera} a um pelouro de urbanismo onde temos de desenhar cidade, e em isso temos de aplicar ideologia, princípios, projetos profundos de melhoria social.

Ele e Soraya, a vicepresidenta, se bastam com uma pequena costeleta de mão onde está escrito/documento laconicamente que separados nos irá pior, e que Europa não lhes abrirá as portas. Mas nada do que está escrito/documento na Constituição salvo a unidade de Espanha: a justiça social, os serviços públicos iguais, a obrigação que temos todos de dar-lhe a volta ao país como um meia e de acabar com a corrupção, a dali e a de aqui, os vínculos culturais, de pensamento, familiares…

E sobretudo um elemento ideológico-político de força que é construir um projeto de todos e para todos. Nisso chamou a atenção semanas atrás uma frase do presidente da Junta, Fernández Vara, que passou despercebida e {engullida} por outros titulares jornalísticos mais surpreendentes. ¿Temos de desenhar um projeto atrativo para Catalunha?, lhe perguntaram. Não, respondeu, temos de desenhar um projeto para Espanha.

Continuamos sem esse projeto. Com muitas dúvidas sobre/em relação a a continuidade de bastantes coisas que se pactuaram na Transição. Com o ressentimento de não ter facto/feito anos depois uma certa rutura. Os fantasmas eternos, a Espanha frustrada que sublinha o escritor Pérez Reverte: nem um forte estado centralizado, laico e com uma certa estrutura nacional de valores e orgulho mais empenho comum que é França, nem o harmonizado e eficaz esquema federal alemão.

Cada vez se faz mais desde o estamento político pura gestão e nada da verdadeira política que é a que tem detrás um projeto ideológico em contínuo avanço. Não há bandeiras emotivas transcendentais, não há ideias, não há ilusões, que ao fim e ao cabo a política é também ilusão/motivação e utopia.

E em tudo deve existir ideologia, porque esse é nossa particularidade humana cultivada com a História, a ciência, os pensamentos filosóficos. Até em se as grandes superfícies comerciais devem estar abertas aos domingos ou não. Vai em isso um modelo social, o duma masa de trabalhadores consumidores, parafusos do engrenagem mecânica sem sentido, ou o duma civilização que pensa, vive, convive, e cujos indivíduos se dedicam entre eles a fazer-se felizes. Num debate sobre/em relação a o particular na Asamblea de Extremadura, um deputado da esquerda o esgrimiu face à liberdade total de horários. Em tudo, primeiro ideologia, um projeto, e depois gestão.

*Jornalista.

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