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El Periódico Extremadura | Sexta-Feira, 27 de abril de 2018

Gerir a convivência

Convivir é, sobretudo, um exercício de empatia até o outro

MARÍA JOSÉ López González
02/01/2018

 

{Traspasamos} a fronteira dos anos e este mundo globalizado mostra-se incapaz de gerir a convivência como um terreno de tolerância no qual {quepamos} todos, e o façamos desde a fórmula da paz e o respeito à dignidade das pessoas. Demasiados conflitos {asolan} este milénio, como parte do devir de territórios sujados em confrontações desde há anos. Deste mundo globalizado se esperava uma capacidade de transferir fronteiras, com o objetivo de unir paz e convivência. Mas isto não tem resultado tudo. Por outro lado, sim tem servido para criar um espaço de mercado capaz de transferir tudo tipo de produtos, mas que desequilibra quando trata-se de harmonizar condições laborais, sociais e ambientais.

Gerir a convivência entre territórios e países requer, necessariamente, da capacidade de diálogo e de entendimento de suas próprias normas. Porque não vale esgrimir o predomínio de territórios, face à procura dos direitos dos cidadãos. Foi a fórmula deste mundo globalizado a que nos deu a desculpa para saltar-nos aqueles desafios que tínhamos entre todos de concorrer em igualdade aos valores duma Humanidade, que se descreve entre civilizada e {fanatizada}. Capaz de lançar tudo tipo de avanços, mas sentir-se minúscula quando se refere a resgatar dos grandes desastres a grande parte da sua população. É como as mil caras de um mundo que não se equilibra entre territórios. E o faz pelo desafio duma economia que tudo o envolve, menos o desenvolvimento real dos Direitos Humanos. Porque a convivência não pode ser nunca um exercício {impostado}, básicamente tem que estar estruturada em torno do conceito/ponto de justiça e de respeito ao diferente. Convivir é, sobretudo, um exercício de empatia até o outro. Caso contrário, se observam situações de violência que cada dia gera nossa sociedade, baixo/sob/debaixo de a coluna fronteiriça. Com a premissa de não tolerar ao diferente, ao que pensa diferente, ou ao que postula ideias divergentes. Questões todas estas às que a estas alturas pouco/bocado {comprendemos}, quando se supõe que a sociedade abriu-se e se tem {democratizado} em relação a tudo o que do passado nos vinha, ou se nos dava imposto. A {mundialización} dos Direitos Humanos foi a fórmula desenhada do consenso mundial para conseguir uns princípios de convivência, baseados no respeito à condição humana. Que com a passagem do tempo foi benéfico para ir depurando conflitos, mas que o {tacticismo} dos interesses de países poderosos foi dando lugar a espaços, ou terrenos propícios a esses conflitos {latentes}. Agora, embora persistam conflitos, estes não sempre se declaram, e o terrorismo passou a ser o arma de um preconflito que some a muitos países em guarda, frente a inimigos externos ou internos. Parecem ter-se mudado as normas de convivência por normas de resistência, daí que em muitas sociedades, o quadro da tolerância se veja suspendido pelo do medo.

Apesar de tudo isso, a convivência entre pessoas e países constitui o maior dos conquistas de qualquer sociedade. A convivência não tributa, nem pode subordinar-se a intercâmbios comerciais, ou a hipótese de predomínio duns cidadãos sobre/em relação a outros. Se aceita e se reconhece como fórmula de gerar um modelo de sociedade na qual cabem todos ou, caso contrário, perante essa falta de empatia nos {situaremos} num modelo de convivência na qual o estar tem mais que ver com exigências legais, que também, que com o verdadeiro sentido da {sociabilidad}, que não é outro que o fazer de um território um continente ou uma família a aceitação do outro, pelo sentido do devir do ser humano em suas diferenças, seus direitos, suas obrigações e, sobretudo, suas individualidades.

Esperemos que este novo ano que começa tenhamos a capacidade e a habilidade para fazer do mesmo o cenário da convivência, que é a chave idónea para {fortificar} a qualquer sociedade face ao exercício da intolerância, e a maior garantia a futuro do respeito aos Direitos Humanos, como base da convição humana mais sincera.

*Advogada.

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