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El Periódico Extremadura | Sexta-Feira, 3 de abril de 2020

Fora de foco

Me dói no alma contemplar as imagens de famílias deambular pelos campos

AMADOR Rivera
09/03/2020

 

Diz o provérbio que «uma boa capa tudo o tampa/petisco». A capa, agora mesmo, é o coronavirus, que tem posto umas {orejeras} à atualidade que nos impedem emprestar mais atenção a outras notícias relevantes que se estão produzindo estes dias. Concretamente, penso no desastre humanitário que está tendo lugar na fronteira de Turquia com Grécia; com a UE em definitiva. Sou consciente de que é muito difícil que nos possamos pôr na pele dos refugiados sírios que fogem da guerra, cuja dramática situação {percibimos} como algo muito afastado do nosso mundo e, portanto, não o {incluimos} entre nossas preocupações mas, pelo menos, deveríamos tentá-lo.

O estado de bem-estar no qual vivemos, e a distância com o lugar do drama, nos levam a pensar que nunca nos veremos na situação dessas pessoas sem nome que se assomam aos telejornais. Semelhante, de resto, à que sofreram muitos espanhóis num passado, não tão distante, que ainda não superámos completamente. Além disso, a má memória nos faz esquecer que, não faz muito tempo, o governo de Turquia comprometeu-se com a UE a parar a bilhete de refugiados sírios a território comunitário em troca, isso sim, de dinheiro e apoio a um governo {dudosamente} democrático, por defini-lo de um modo suave.

Para um clube de países, a UE, que se define como garante das liberdades democráticas e os direitos humanos não deveria ser assuntível que as autoridades turcas estejam jogando com vidas humanas para conseguir seus interesses políticos nem, como é o caso, os responsáveis desse clube olhem para outro lado diante da flagrante {conculcación} dos direitos humanos ou, pelo menos, modulem suas críticas perante uns factos/feitos intoleráveis. Como o é que a este lado da fronteira europeia se reprima com dureza a umas pessoas que procuram salvar suas vidas e as de seus familiares.

Dito o anterior, devo acrescentar/adicionar que, embora não queria entrar em divagações políticas, o tenho acreditado necessárias para esclarecer as coisas. Do que queria falar era das pessoas, dessas pessoas às que não lhes podemos pôr nome, mas que, ao facto/feito dorido de ter que abandonar seus lares e seu país, temos de somar as dificuldades de um viagem, difícil e perigoso, para fugir da guerra que, em lugar de entrar no paraiso sonhado, se encontraram com a repressão à que os estão submetendo na fronteira entre Turquia e a União Europeia, sentindo, com razão, que não os querem em nenhum dos dois lados.

Pessoalmente, me dói no alma contemplar as imagens de famílias, com meninos muitas delas, deambular pelos campos, desorientados, com frio e sem saber a onde ir. Por fortuna, nesta ocasião não temos visto imagens de nenhum menino afogado, como aconteceu em ocasiões anteriores, razão pela qual não lhe estamos emprestando tanta atenção a uma crise humanitária que as autoridades parecem querer tapar, como demonstra o facto/feito de que alguns jornalistas têm sofrido os golpes da polícia.

Por último, queria reconhecer o estreitamente das ONG que, como sempre, som as únicas que estão à altura, nuns momentos tão complicados para todas essas famílias que, fugindo da guerra, só/sozinho encontraram rejeição por parte das autoridades competentes e a indiferença da maioria da cidadania. Se calhar por estar fora de foco.

*Jornalista.

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