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El Periódico Extremadura | Sábado, 25 de novembro de 2017

Extremenhos ao comboio

O dia da Extremadura será reivindicativo, mas se deverá deixar a política a um lado

ANTONIO Cid de Rivera
03/09/2017

 

Este verão {recogí} na estação de caminho-de-ferro de Cáceres a uma amiga que chegava de Madrid em comboio. Tinha pegado um TGV desde Zaragoza para ligar na estação de {Atocha} e chegar até Extremadura. Quando se {apeó} na capital cacerenha, depois de/após mais de quatro horas de viagem e com o consequente atraso porque não se sabe bem que razão, nem me cumprimentou; só/sozinho saiu de sua boca uma pergunta: ¿mas como {aguantáis} isto?

Não é que não me tenha afeição. Mas sua zanga estava mais que justificado: tinha passado duma hora e meia de viagem no TGV ‘Zaragoza-Madrid’ a mais de quatro num comboio diesel sem tomada para o computador, naturalmente sem {wifi}, sem uma máquina de café ou de bebidas, sem um banho em condições, com numerosas paragens/desempregadas/paradas e, o pior, com o ar condicionado funcionando a bocados num Agosto onde se superavam os 40º.

Há quem diz que aos extremenhos nos deu agora pelo comboio quando, na verdade, leva assim muito tempo, que a luta partidarista se tem metido de por meio e que há interesses políticos numa contenda que, na verdade, resulta artificial. Não duvido de que não tenha razões falsas ou espúrias nalguma das partes, ou em todas, mas o que sim se é certo é que esta situação não pode seguir/continuar assim por mais tempo, que o comboio estava mau até agora, mas é que duns meses para cá se nos cai a pedaços.

Os tempos melhoraram para todos menos para os de sempre e quem sai fora, que felizmente já somos quase todos, pode ver o que têm por aí e compará-lo com o que infelizmente temos por aqui. {Echamos} o resto pelo TGV dado que nos tocou a lotaria naquela famosa cimeira {hispanolusa} de {Figueira} dá Foz de 2003 quando Espanha e Portugal pactuaram a alta velocidade ibérica, mas 14 anos depois continuamos com o TGV em obras (e veremos para quando) e com o comboio convencional facto/feito umas raposas.

Neste ano o Dia da Extremadura vai ser reivindicativo. Assim o decidiu o governo extremenho, pegar/apanhar a bandeira do comboio e ondear-la ao mesmo tempo que a ensina regional. Para isso vai-se a representar a assinatura de adesão das câmaras municipais extremenhos ao pacto pelo caminho de ferro. Dalguma maneira se pretende materializar o apoio do municipalismo, da cidadania em geral, a este objetivo. Muito bem o tem que fazer o governo socialista neste assunto, qualquer rumo político com o que tente tirar talhada eleitoral o {echará} a perder e a oposição/concurso público terá a prova de que o comboio não é um assunto de região, ou de nação que diria Catalunha, mas de um jogo/partido ou um governo concreto que representa a uns poucos. É mais, se se foge deste aspeto e se {echan} a um lado protagonismos políticos, todos os partidos terão que somar-se antes de que se lhes acuse de estar na coisa pública para defender a quem manda.

Esta Extremadura nossa é de poucas questões regionais. Se calhar nos falte identidade comum a cacerenhos e badajocenses e somente nos {miremos} o umbigo ou diretamente a Madrid. Prender uma chama reivindicativa em nossa sociedade resulta farto complicado, enquanto em magnificar ou salientar o que temos pomos tudo nosso empenho. Somos assim. Por isso, esta vez que se aprecia um sentimento comum a favor de um comboio digno não há por menos que prestar-lhe atenção. A sociedade extremenha está farta de desculpas e farta de ver que aqui não passa nada quando existe um agravo comparativo.

Ao fim e ao cabo, nos temos conformado, apesar das promessas, com que o TGV não chegue nem em 2010 nem em 2012 nem em 2015 e temos aceite que seja um comboio rápido em 2019 para que se {electrifique} em 2020 e chegue a Madrid num tempo mais ou menos prudencial a partir de 2022 ou 2023. Pelo menos, entretanto, que os comboios que nos levem a Madrid ou a {Sevilla} --ou interconetem as cidades extremenhas-- não sejam do ano de {maricastaña} nem se estraguem muito frequentemente. Trinta incidências desde meados de Junho para cá não é aceitável nem há argumento de defesa possível por muito que alguns se empenhem. Assim de claro.

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