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El Periódico Extremadura | Sábado, 25 de novembro de 2017

A Extremadura {macondiana}

MARIAN Rosado
10/09/2017

 

Cálida e poeirenta. {Yerma} e remota. Pobre e pintoresca. De gentes resignadas, conformistas. Nem um {Melquíades} que quisesse passar por aqui. Ainda há quem atreve-se a pintar esse retrato da Extremadura. Cada vez o são menos, felizmente. Porque esta terra não tem nada de exótica nem esotérica. Sim conta com um encanto especial que apanha a tudo o que a visita. Uns entardeceres que a autóctone que aqui escreve tem aprendido a apreciar graças a esses visitantes {hechizados} pela mágica atmosfera da grande desconhecida. Pequenas jóias que o leitor não necessita que se lhe descrevam.

Que beleza que o tempo pareça ter-se detido em seus povos/povoações e tradições. Que pena que o tenha facto/feito quanto a comunicações se refere. Que alegria que cada 8 de setembro os cidadãos saibam reivindicar justiça para sua terra. Que triste que as autoridades não tenham um plano fixo para desenvolver a região. Hoy é a economia verde, quando ontem promoviam indústrias negras. Hoy {claman} por um comboio digno, quando ontem deixaram que a rede ferroviária extremenha {cayera} no esqueço.

Mais vale tarde que nunca isso sim. Mas igual que falam aqui, que o façam em Madrid. Alto e claro. Entre {secesionismos}, desconexões e crise várias. Que há uma região que suplica por construir pontes para desenvolver seu potencial. Que não quer ficar na nada absoluta, o esqueço. Vivendo de falsas esperanças. De fábricas {bananeras} como a que destruiria {Macondo}.

Mais que de realismo mágico é de surrealismo vergonhoso que o Talgo volte como solução ferroviária. Trinta anos depois. O deixámos substituir faz sete anos pelos comboios regionais. Permitimos outro passo atrás. Igual que deixámos eliminar trajetos, fechar estações, envelhecer vias. Há quem dirá que de pouco/bocado vale olhar ao passado. Sim que serve para aprender a encarar o futuro. Para evitar o perigoso círculo vicioso entre incomunicação e despovoamento que espreita a esta terra.

Por fortuna, tal como disse nalguma ocasião Gabriel García Márquez, «{Macondo} não é um lugar, mas um estado de ânimo que lhe permite a um ver o que quer ver e vê-lo como quer». Oxalá este Dia da Extremadura tenha servido para dar um impulso à região de oportunidades que todos queremos ver.

* Jornalista.

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