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El Periódico Extremadura | Quinta-Feira, 2 de abril de 2020

Extremadura iluminada

MARIO Martín Gijón
07/03/2020

 

Em Cáceres, já se sabe, a vida literária não é especialmente {boyante} e neste ano, tudo parece indicar que até à Feria do Livro de Trujillo a superará na altura de seus escritores convidados. Mas às vezes se alinham os astros, como na próxima semana, e há três «eventos» como os chamam agora, em três dias seguidos/continuados.

Na quarta-feira 11, Gonzalo Hidalgo Bayal (Higuera de {Albalat}, 1950), um dos romancistas mais reconhecidos pela crítica em Espanha, apresentará às 19.30 h. na Biblioteca Pública Rodríguez Moñino seu livro Leituras de {Ferlosio}, publicado por A Moderna, a editorial que dirige David Matías desde/a partir de Mérida e que reúne seus ensaios Caminho de {Jotán} e O deserto de {Takla} {Makán}, dedicados à obra de seu professor particular, o romancista e ensaísta Rafael Sánchez Ferlosio, falecido no passado ano.

Na sexta-feira 13, às 19.15 h, esta vez no Palácio da Ilha, e dentro do Sala de aula da Palavra que coordena Jesús María Gómez e Flores, a {villanovense} {Susana} Martín Gijón (1981) apresentará seu romance Progénie, que está tendo um grande êxito de vendas (segunda edição em menos de um mês) e da que já falou por extenso Fernando Valbuena faz um par de semanas nestas páginas.

Entre ambos romancistas, tão {disímiles} (veterano, difícil e exigente o primeiro; jovem e para quase todos os públicos a segunda), na quinta-feira, às 19.15 h, também no Palácio da Ilha, terá lugar a última sessão do Sala de aula Literária José María Valverde, protagonizada por Javier Pérez Walias (Plasencia, 1960). Já era hora, pensa um, que não entendia que este poeta, {afincado} desde há quatro décadas em Cáceres e duma trajetória lírica indiscutível, não tivesse sido ainda convidado ao Sala de aula, embora isso não retira para seguir/continuar afirmando que o autor de Plasencia não tem obtido ainda o reconhecimento que merece em sua terra, pois apesar de participar desde/a partir de muito jovem nas já mitológicas revistas Residência ou {Gálibo}, teve de publicitar seus primeiros livros em pequenas mas deliciosas editoriais de Málaga. As {tornas} começaram a mudar em 2004, com a Antologia poética (1988-2003) que {publicara} a Editora Regional, e dez anos depois com {Otrora}, que recolhia a última etapa de sua obra anterior ao poemário W, publicado pela seleta editorial hispano-mexicana Copo Quebrado.

Esse reconhecimento insuficiente em sua terra, que agora começa a paliar-se (na semana passada esteve convidado no Sala de aula Literária {Valhondo}, de Mérida) era {hiriente} num autor para o qual o paisagem extremenho tem uma importância fundamental. De isso se calhar a maior/velho prova seja seu livro Escrito/documento com luz publicado faz poucos anos pela Editora Regional da Extremadura, e onde seus poemas em prosa acompanham uma série de espantosas fotografias de José Antonio Marcos, que refletem, desde/a partir de ângulos inauditos, a multiforme beleza da Extremadura.

Articulado em várias secções, títulos como «Água que afaga» ou «Espelho de água» {traslucen} a importância que o laje elemento tem nestas fotografias, como a tem na poesia de Pérez Walias. A «afago da água» e o «vertigem do leito» absorvem o olhar do poeta e o somem no lembrança. «A pele» reproduz a textura espantosa de troncos e pedras cobertos de {líquenes} como nossa pele é coberta pelo pelo, pois como diz Pérez Walias «o paisagem é vida: palpitação que se apalpa em cada árvore, em cada pedra». Em «Território habitado» som os animais os que dão vida ao paisagem, desde/a partir de o majestoso cervo berrando no crepúsculo, as aves que numa instantânea vertiginosa adquirem traços cubistas ou as {libélulas} que parecem seres mitológicos. Em «Terra esculpida» nos impacta a beleza de paisagens tão diferentes como o dos {Barruecos} ou o meandro de um torrente na Serra de Gata.

*Escritor.

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