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El Periódico Extremadura | Sábado, 18 de agosto de 2018

Exames, copiar, dispositivos {electrónicosSLps}

SEBASTIÁN Díaz Iglesias
09/06/2018

 

Agora que chega o final de curso e os últimos exames, os que vão a marcar o futuro próximo dos alunos (um verão de férias ou de classes particulares) e, para alguns, seu futuro académico e profissional (os que, por exemplo, se enfrentam à {EBAU}), não estaria demais refletir sobre/em relação a os exames e sobre/em relação a uma prática tão antiga como estes: copiar.

Nos últimos anos, o uso de dispositivos eletrónicos se tem posto tão na moda na hora de copiar, que esta tornou-se numa prática que traz em xeque aos docentes. Já não é necessário ter o cabelo longo/comprido para dissimular os auscultadores, embora estes sejam inalâmbricos e funcionem com {bluetooth}; há uns que se metem no ouvido e não se vêem desde fora. Logo se extraem com um imã. Me o contaram uns alunos.

Se está tratando de pôr soluções: proibir os telemóveis, pedir aos alunos que os deixem num cesto à entrada, pôr inibidores de frequência... ¿Recordam quando nós {estudiábamos}? Tínhamos que deixar livros e apontamentos à entrada ao sala de aula. Mas se seguia/continuava copiando com costeletas, com folhas escondidas debaixo de a camisa... Igual acontece agora. A {picaresca} do estudante é grande, sempre o foi. Mas na atualidade, esta se vê facilitada pelos avanços tecnológicos.

¿Que podemos fazer para evitar estas batotas/logros que premeiam ao infrator e, às vezes, prejudicam ao que não as faz? ¿Proibir, castigar? Eu não acredito/acho que esta seja a solução.

Em minha opinião, o problema o temos os docentes ao centrar nossa atenção nestes dispositivos, {criminalizándolos} e propondo estratégias que os proíbam. ¿E se o problema não está neles e sim nos exames? É absurdo ir contra o progresso e seguir/continuar abraçados ao passado, o dos exames, como se este fora o único e verdadeiro. ¿Não será que o copiar é algo inerente aos próprios exames e que até que não {acabemos} com estes não acabar-se-á com esta prática?

Mas, ¿como vamos a eliminar os exames? ¿Como avaliar sem eles? Seria injusto, ilegal. Isto dizem muitos. É como se algo que se tem perpetuado no tempo tivesse recebido por isso a categoria/escalão de justo, legal, necessário e imprescindível. No entanto, isso não é assim. ¿Quantas condutas mantidas no tempo, como as machistas, constituem uma autêntica aberração? ¿Porque é que damos naturalmente que avaliar em função da nota obtida num exame é justo? Todos conhecemos casos de injustiças geradas por esta forma de avaliar. ¿E porque é que damos naturalmente que avaliar em função da nota obtida num exame é legal? Eu me tenho lido o afastado dedicado à avaliação nas últimas leis de Educação e em nenhuma delas se utiliza este vocábulo. É mais, por exemplo, em Ensino secundário estas leis falam duma avaliação que deve ser contínua e formativa. ¿Talvez qualificar tendo em conta a avaliação contínua não entra em contradição com fazê-lo a partir de um exame? ¿Quantas programações recolhem/expressão, em seu afastado de avaliação, a obtenção de um percentagem alta da nota (entre o 70% e o 90%, segundo os casos) com o exame, e o resto pelo dia-a-dia. ¿Talvez, tendo em conta a lei, não é isto mais ilegal que, por exemplo, não fazer exames? Os exames não são necessários para avaliar, nem para conseguir que os alunos se esforcem, ou que aprendam. Estes podem trabalhamos/trabalhámos e esforçar-se numa cadeira embora não se façam exames nela. É mais, podem chegar a aprender mais que estudando para um exame. Na maioria dos casos, ao único que levam estes é a um ato de pura memorização (textos, algoritmos, problemas, datas...), a repetir o memorizado como se de um {avezado} papagaio se tratasse e a esquecê-lo aos poucos dias.

O problema não são as costeletas, nem os dispositivos eletrónicos; o problema são os exames. Não somos os docentes os que temos que fazer perguntas, são os alunos os que devem fazê-las.

... Para terminar (embora isto é o conto de nunca acabar), aí têm a última prova de que é necessário desterrar do nosso sistema educativo o modelo de avaliação baseada em exames: a {EBAU} deste ano na Extremadura.

* Professor

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