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El Periódico Extremadura | Domingo, 24 de junho de 2018

Europa fica só

JOSÉ ANTONIO Vega Vega
04/06/2018

 

A guerra comercial iniciada por Trump com a implantação de tarifas às importações do aço e alumínio vai a permitir a Europa dar a verdadeira medida de sua capacidade de reação. Mas me {temo} que com comissários de comércio como a sueca {Cecilia} {Malmström}, que já demonstrou sua incompetência na negociação do Tratado Transatlântico de Comércio e Investimentos ({TTIP}), pouco/bocado cabe esperar. A ameaça de denunciar a Estados Unidos diante da Organização Mundial do Comércio não deixa de ser o anúncio de utilizar/empregar salvas de artifício/ truque/ artimanha num combate real, tão inócuo como inútil.

O ano passado {celebramos} com toda pompa o 60 aniversário da fundação da União Europeia, e o 9 de Maio recordámos, como cada ano, o Dia de Europa. Mas se {analizamos} seu presente, {llegaremos} à conclusão de que a UE perdeu seu {rol} de potencia estratégica mundial.

O modelo neoliberal incorporado aos tratados europeus e a prática comunitária de aplicar com decisão unicamente as políticas monetárias está debilitando o poder/conseguir dos Estados membros. A consequência é clara: os governos europeus sofrem uma grande submissão e dependência dos mercados globalizados. A alta abstenção registada nas últimas eleições ao Parlamento europeu deveu servir de toque de atenção aos dirigentes. Mas a orfandade de líderes que {sufrimos} impediu que este facto/feito passasse a considerar-se relevante/preponderante em Bruxelas.

Este clube económico em que se tornou a UE faz com que os europeus se sintam/sentam insatisfeitos com suas políticas, sobretudo quando as expectativas não melhoram. E, entretanto descontente, crescem os populismos de ambos signos. Os órgãos da UE interpretaram que o euroceticismo era uma consequência passageira da crise económica. Mas estamos superando a crise económica e, no entanto, a taxa de crescimento não {repunta} e o desemprego tornou-se numa flagelo social nos países do sul. Com este panorama é lógico que o Reino Unido tenha preferido ir-se embora e que cada Estado europeu anteponha seus próprios interesses aos da União.

A democracia é um projeto de valores. Alguns pensam que a unidade do nosso continente é um processo irreversível, mas tudo pode mudar. Podemos estar assistindo ao declive desta união continental. Se o projeto não dá mais de sim, se não continuamos avançando, a ideia duma Europa social e unida pode resultar uma quimera. Está claro que os nacionalismos e populismos estão {perturbando} o sentimento de {europeidad}.

Europa não tem sabido reagir ao triunfo de Donald Trump em Estados Unidos. O hipernacionalismo do presidente americano está pondo ao descoberto que só/sozinho lhe interessa Europa -ou qualquer outro país- quando a aliança lhe beneficia. A guerra comercial em que podemos submergir-nos, derivada das restrições às importações do aço e o alumínio, não faz prever nada promissor. Europa, por razões óbvias, também não pode estender demasiadas pontes com Rússia. Em poucas palavras, tudo parece indicar que num futuro imediato estaremos à margem das decisões que possam tomar Estados Unidos, Reino Unido e Rússia. E já sabemos que os gigantes económicos asiáticos giram noutra órbita.

Neste mar confuso que {navegamos}, pilotada a nave pela mediocridade dos atuais líderes europeus, o presidente francês {Macron} parece ser o único dirigente que quer manter firme/assine o rumo até uma Europa unida. No entanto, ao não ter o apoio de um jogo/partido tradicional, não conhecemos sua verdadeira ideologia, nem se o movimento transversal que o levantou à presidência vai seguir apoiando-o durante muito tempo. Temos de ter em conta que sua vitória, mais que a um programa eleitoral concreto, se deveu à necessidade de impedir o governo da extrema direita em França.

No plano interno, a construção de Europa está em crise; a União Europeia não sabe (não quer) defender a Espanha do {neofacismo} que se está implantando em Catalunha. No âmbito internacional, Trump nos {ningunea}; com Rússia temos problemas por querer contentar a Trump; Reino Unido vai-se; Turquia, após as negativas europeias, está explorando novas alianças. E o extremo Oriente vai ao seu. ¡Mas que só está Europa!

* Catedrático de Direito Mercantil

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