Menú

El Periódico Extremadura | Domingo, 21 de janeiro de 2018

Eu pequeno-almoço com {Baltasar}

Com o fim de passar despercebido diz chamar-se Jorge Mendoza

FERNANDO Valbuena
06/01/2018

 

Yo pequeno-almoço com {Baltasar}. Mano a mano. Assim, de memória, não lembrança ter outro mérito maior em minha escangalhada existência. Com {Baltasar}, com Manolo, com Alfonso e com o que vá caindo. {Baltasar} é um Rei Mágico. Um de três. Dizem por aí os {luteranos} que há um quarto: {Artabán}. Certamente, comigo {Artabán} não toma o pequeno-almoço. Nem quero. Yo acredito/acho que o têm inventado para dar-nos tormento aos crentes. Crentes porque acreditamos que cada dia é um presente, que cada dia é seis de Janeiro. Hoy também, também tenho tomado o pequeno-almoço com {Baltasar}. O único certo é que tomar o pequeno-almoço com o Papa não me faria tanta ilusão/motivação como tomar o pequeno-almoço com Sua Majestade.

Oito e média/meia nos relógios do alba. Restaurante típico Os {Monteros}, Badajoz, onde o Guadiana dobra. Antes era Os {Monteros}, agora o tem pegado um chinês, {Sam} ({sic}) Vicente, e dessa guisa lhe perpetrou umas letras de alumínio na fachada. Mas Manolo, o empregado de mesa, com {sam} ou são, ou sem ou com, segue/continua atendendo cafezinhos carregados de bom rolo. Miolos, {cachuela} e, em ocasiões, depósito de lombo. Fora, um {cartelón} anuncia: {osobuco}, caracóis e máscara de porco. Em castelhano. {Sam} ({sic}) Vicente. Menu do dia, nove com cinquenta.

Às vezes, {Baltasar} se atrasa,... e lhe {echamos} em falta. Se tarda, {pego} a tira com {Pacoti}. {Pacoti} é meio {legionario}, sempre me quer convidar, mas, quando chega, eu já tenho pago o pequeno-almoço. {Charlo} com {Pacoti} ou com Justo Pajuelo, a outra metade da legião. Às vezes, {Baltasar} tarda,… já se sabe que os Mágicos costumam cavalgar de aqui para lá, algo {atolondrados}, a mar de ocupados sempre; nunca se o temos em conta. Por certo, agora que digo {cabalgadura}, nunca lhe tenho visto o {rocín}; o terá nalgum estábulo do bairro.

Gosto, agora em inverno, tomar o pequeno-almoço quando ainda é de noite. Gosto espreitar as luzes primeiras. A culpa é dos Mágicos de Oriente. De criança não sabia a ciência certa o que pudesse ser a noite. De tão jovem, de tão civilizado que era, a luz era omnipresente. Da luz à luz, e, no meio, só/sozinho o rapto do sono/sonho, urgentíssimo e todo-poderoso. Mas a noite do cinco de Janeiro era, a sério, noite. Já sabem, {duérmete} que se não… Mas não tinha maneira. Os olhos como frigideiras. As lamas de madeira {traqueteando} em seus faixas de rodagem. O pensamento {febril}. E ao outro lado das persianas, a noite. O silêncio. A escuridão. Às vezes o vento, às vezes a nada. A espera. A esperança que tudo o move. Me segue/continua gostando esperar vivo o limpo desejo de cada amanhecer. E A Crónica.

{Baltasar} é generoso, me traz A Crónica todos os dias na hora do pequeno-almoço. {Baltasar} é, para além de rei, amigo. Reis há três, amigos muitos menos. {Desayunamos} juntos em Os {Monteros}. Yo {leo} A Crónica. Café, {cachuela} e Manolo. Ainda é de noite. {Baltasar} tem perto um negócio tampa, diz ser sapateiro {remendón}. Ali tem tertúlia de meninos grandes, Pepe «o chui» Pizarro e Antonio «o poeta» {Pinna}. Entre nós, e sem que saia da Extremadura, acredito/acho que são dois de seus {pajes} de confiança. Em seu esconderijo-oficina, para além de {pajes}, tem uma bandeira de Espanha e dois lâminas da Virgem da Soledad. Conversa, faz como que remenda e se prepara para a {tralla} de todos os {cincodeenero}. Com o fim de passar despercebido diz chamar-se Jorge Mendoza, mas a {Baltasar} o de Jorge Mendoza lhe {cuadra} tanto como um {twist} a Rafael Farina. Como é normal/simples, {Baltasar} vai pintado de negro; mesmo em verão, suponho que para não despertar suspeitas. Yo quase que o prefiro assim. {Imagínense} que um dia se apresenta todo aprumado a tomar o pequeno-almoço,… como para que se nos {atraganten} os {cafeses}. Lhe {reconoceríamos} por A Crónica. {Baltasar} é bom e nos oferece cada dia A Crónica.

As notícias mais...