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Eu estive ali

 

MERCEDES Barona
27/07/2020

Tenho viajado em barco atravessando oceanos até chegar a as costas de Japão e ali pôr-me ao serviço de um {Shogun}. Me sentia o estrangeiro. Sobrevivi ao cólera que assolou meu país deixando um rasto de paixões e morte.

Conheci uma saga familiar que desapareceu quando ao último de seus membros se o comeram as formigas. Tenho perseguido a uma baleia branca até perder a juízo e a batalha.

Me tenho batido em duelos a espada nas ruas do Madrid do século de Orellana / Orelhana e {luché} contra gigantes que não o eram.

Conheci aos últimos czares russos, e soube de seu assassinato numa casa perdida num vale/cerque nevado.

{Mendigué} e {robé} nos becos de Londres e {crucé} o {Missisipi} fugindo da lei. Tenho {declamado} os versos mais belos baixo/sob/debaixo de uma janela, embora não foi minha voz a que os recitou, somente minha alma.

Tenho acarretado um bidão e um fósforo procurando fazer a justiça que não me concediam as leis.

Tenho sentido a nada.

Vi ao deus da chuva chorando sobre/em relação a México enquanto caía noite mais escura.

{Serví} a um cego que me ensinou a crueza da vida e {bajé} aos infernos a ler poesia antes de ascender ao purgatório.

{Aprendí} porque é que cantam os pássaros quando os {enjaulas}.

Tenho inventado mil e uma histórias para conseguir sobreviver mil e uma noites.

Estive em campos de concentração e morte e tenho sobrevivido para dar testemunho.

Fui o melhor médico do antigo Egito e tenho conhecido a grandeza e a miséria.

{Caminé} entre {elfos}, anões e homens para além de as portas de {Mordor} e {regresé} sem uma pesada carga/carrega.

Tenho descoberto que o melhor dos mundos não é um mundo feliz e que não há crime sem castigo.

Tenho pisado vidros e sangue cruzando o território da guerra e a notícia.

Milhares, milhares de vidas e de histórias. Era eu e era cada personagem. E tudo o tenho vivido desde/a partir de meu sofá ou baixo/sob/debaixo de uma árvore, sentada à beira do mar ou inclinada sobre/em relação a minha cama, às vezes a com dificuldade, a meia noite, impaciente ou espantada, sempre agradecida, feliz, porque o secreto é que a vida, sem livros, é menos vida.

* Jornalista