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El Periódico Extremadura | Quinta-Feira, 21 de junho de 2018

A estratégia de deixá-lo estar falhou

O mas de Rajoy, a {inacción} própria esperando o erro do adversário, não tem funcionado esta vez e foi censurado

ANTONIO Cid de Rivera
03/06/2018

 

A recente moção de censura vivida nesta semana tem tido toda classe de interpretações. Umas em positivo, outras em negativo, todas em chave eleitoral por quanto que uma ferramenta constitucional desta natureza supõe uma trovoada política cujos efeitos o perturbam tudo, às vezes até ao raciocínio e naturalmente a objetividade.

Rajoy, o homem do caráter e a cintura de madeira, pensava que tudo se resolvia com seu já famosa estratégia de deixá-lo estar. A {inacción} em estado puro esperando o erro do adversário. Mas esta vez lhe falhou o prognóstico. Encarregado à vontade das urnas e acreditando que a boa marcha da economia o cura tudo, confiou seu destino à aprovação dos orçamentos gerais do Estado com o PNV. Nem sentença da {Gürtel} nem tsunami que se lhe pareça, dinheiro como água benta e olhar para outro lado até que o céu escampe. Tal foi a surpresa na quinta-feira no Congresso que foi a comer e já não voltou quando se reiniciou a sessão; ficou no restaurante o resto do dia fora de combate e esperando despertar de um mau sono/sonho. Isso ficará para os {anales} da nossa própria história, como se censurava a um presidente enquanto em seu cadeira pousava o mala da vicepresidenta.

Não acredito/acho que Pedro Sánchez soubesse quando apresentou a moção que esta ia a prosperar. Estou convencido de que a concebeu como um instrumento para voltar ao tabuleiro de jogo da política e converter-se em verdadeira oposição/concurso público arrebatandole o posto a Ciudadanos. ¿Que tinha motivos? Mais que sobrados vendo o primeiro dos oito erros do caso {Gürtel} que se têm de julgar e o escândalo de corrupção que tira à luz. Mas ¿convencer a um hemiciclo tão diverso, com um PNV que acabava de pactuar os orçamentos e um {PdCAT} que não ia aliar-se com o PSOE visto seu apoio à aplicação do 155? Impossível. No fim, pôde mais o ânimo de {echar} a Rajoy que tudo o resto. Porque esta moção foi isso: desbancar ao presidente do PP embora por isso tenha que pôr-se à frente Pedro Sánchez.

Difícil tarefa tem perante si o líder socialista com 89 deputados e sustentado por Podemos, os nacionalistas bascos e os separatistas catalães. Dizem que não houve concessões e não temos de pô-lo em dúvida, mas que as vão a pedir a partir de agora é uma certeza. No entanto, não acredito/acho que tenha convocação de eleições antecipadas em Março de 2019 como se tem especulado, somente beneficiaria a Ciudadanos e seria uma antessala perfeita para esta formação nas autonómicas e municipais de Maio dado que apenas têm implantação territorial. Também não acredito/acho que coincidam com autonómicas e municipais propriamente ditas, demasiadas urnas numa mesma mesa onde também têm que ter cabida as europeias. As fio mais bem para o verão de 2020, com o percurso/percorrido suficiente como para oferecer um cenário de normalidade e tranquilidade à cidadania. Com o ambiente remexido ninguém vota o que quer, o medo e a incerteza {echan} por terra milhares de hipotéticos apoios.

Embora o PP entendo que não lhe dará trégua ao novo executivo. No meio da legislatura, nem os 100 dias de rigor. Salvo que dilua sua ação na salvaguarda de seu próprio destino e Rajoy opte finalmente pela demissão procurando um novo candidato, os populares optarão por uma oposição/concurso público dura reivindicando o que lhe deram as urnas e lhes arrebatou a moção de censura. Lenha aos traidores, dirão, e aí entra também Ciudadanos ao que já qualificam de colaborador necessário.

Na ratificação ou não dos orçamentos agora no Senado, se verá já que tipo de comportamento vão seguir os populares os dois anos que diminuem de legislatura. Não me estranharia que {bloquearan} suas próprias contas tratando de precipitar o final de Pedro Sánchez. Não obstante, o via-sacra judicial que lhes espera não lhes dará sossego. As 7 peças da {Gürtel}, 15 da Púnica, 7 da {Taula}, 5 do caso {Lezo} e agora o caso Baldio que levou a {Zaplana} à cadeia será letal face à cidadania.

Tudo está no ar novamente. Quando já toda a gente dava por certo que era o momento de {Albert} Ribeiro, Pedro Sánchez dá a badalada e volta a começar. Dos rotas que leve o país dependerá tudo o resto: se há sobressaltos, mau; se há sossego, bom. Quem sabe se Ciudadanos saberá {amoldarse} a esta nova conjuntura partilhando oposição/concurso público com o PP. ¿Podemos suportará a sombra do PSOE? ¿Um PP renovado convencerá ao eleitorado? ¿O PSOE demostrará que a moção de censura foi pelo bem deste país? Visto o visto, deixar as coisas como estavam era bastante melhor para todos. Ou não.

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