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El Periódico Extremadura | Quinta-Feira, 23 de novembro de 2017

Estereótipos e a ‘{Milana} bonita’

Algo se move em Madrid de um tempo a esta parte sobre/em relação a o comboio vendo o protesto contínua que lhe chega desde Extremadura

ANTONIO Cid de Rivera
10/09/2017

 

Sem {desmerecer} o valor literário e cinematográfico de ‘Os Santos Inocentes’, trata-se de um magnífico romance de Miguel Delibes e um grande filme de Mario Camus protagonizada por Alfredo Landa, {Terele} {Pávez} e Paco Rabal, sempre tenho renegado do que representa. A imagem de decadência, pobreza e, ao mesmo tempo, resignação que envolve a seus protagonistas, fiel reflexo da Extremadura rural de meninos e camponeses dos anos 60, tem suposto um sentimento de rebeldia contra nossa própria história, mas também um lastre para a imagem desta terra quando superou já essa etapa e se expõe ao mundo com outra realidade bem diferente.

Por isso, quando na redação de O Jornal Extremadura surgiu a notícia do movimento cidadão ‘{Milana} Bonita’ de Plasencia e a sua intenção de realizar a viagem a Madrid em comboio ataviados com roupas de ‘Os Santos Inocentes’ para reivindicar um melhor caminho de ferro para Extremadura tive minhas reservas. ¿Essa é a imagem que vamos a dar em Madrid? ¿Vamos a contribuir nós mesmos a enfatizar uma realidade já superada? No entanto, uma vez pensado, a ideia não ia tão mau encaminhada. Exagerar desde a ironia uma imagem irreal sobre/em relação a a que se tem baseado um estereótipo não deixa de ser uma pouca-vergonha para quem tem o poder/conseguir de desterrá-la. Não se trata de mostrar como somos, mas mostrar como nos vêem desde Madrid devido ao maltrato que nos dispensam. E ouve, tiro certeiro.

Me {congratula} que seja um movimento {apolítico} surgido da sociedade civil. E ainda que me {rechina} ver em diferentes estações de televisão nacionais a extremenhos andando pela estação de {Atocha} vestidos de {catetos} e dispensando viandas e chacinas ao público para chamar à atenção, não deixa de ser um complemento muito efetivo para uma reivindicação geral que já tem calado com força na sociedade extremenha.

É evidente que não é o único problema desta terra. O caminho de ferro não é a solução a todas nossas carências e há questões mais {candentes}, como por exemplo o desemprego, do qual não se fala aproveitando que tudo o monopoliza o comboio. No entanto, se tem enchido o copo da paciência da pessoas pelo estado das nossas infraestruturas com avarias contínuas (uma cada três dias é a média), os atrasos na posta em marcha da alta velocidade e a brincadeira de ver que acaba de cumprir-se o 25 aniversário do TGV Madrid-Sevilla, quase a totalidade do país conta com conexões modernas do século XXI e na Extremadura continuamos sem um só/sozinho quilómetro eletrificado e com troços de carris montados no século XIX.

Está já que neste país quem não chora, não mama, e o comboio passou a converter-se numa questão regional de primeira ordem pondo-se detrás de o cartaz boa parte da sociedade extremenha deixando à margem à política.

¿Que queremos? É a pergunta que me fazia não faz muito um colega de um meio de comunicação madrileno. Pois muito simples: o mesmo que as demais comunidades. Os extremenhos não {renunciamos} ao TGV, mas também queremos um comboio convencional que conete às principais cidades extremenhas e permita a saída e entrada das nossas mercadorias. ¿Tão difícil é de entender?

A reação de {Renfe}, instalando, como por outro lado é lógico, um oficina de comboios na Extremadura para não ter que {llevárselos} a Madrid, e recuperando o Talgo Badajoz-Cáceres-Madrid a partir de 2018 depois de/após sete anos não é casual. Como também não a visita esta terça-feira de seu presidente à Junta de Extremadura para aproximar posições e tratar de melhorar uma situação que raia o indecente quanto a comboios e prestação de serviços.

As declarações de ontem do ministro de Fomento, Íñigo de la Serna, a este mesmo jornal, assinalando que se adianta ao verão de 2019 o final das obras do comboio rápido na Extremadura devido a o avançado dos trabalhos e que as novas vias entre Badajoz e Mérida se começarão a instalar em dez dias não é igualmente casual. Como também não a visita que adianta fará novamente em breve a Extremadura para comprovar sobre/em relação a o terreno a situação real dos trabalhos.

Algo se move em Madrid. A assinatura do pacto pelo caminho de ferro de 250 presidentes da câmara municipal extremenhos o passado dia 7 também tem contribuído a isso, bem como as ações de protesto que se prevêem para este outono com manifestação cidadã incluída na capital de Espanha. Se calhar seja injusto que agora se proteste mais quando mais se está a fazer, mas é que chega um momento em que já não cabe outra coisa.

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