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El Periódico Extremadura | Quinta-Feira, 2 de abril de 2020

Em sociedade

Em toda explosão informativa costuma ter uma fase inicial de hiperconsumo

JOSÉ L. Aroca
15/03/2020

 

Quando de vez em quando as coisas se põem feias, se nos acabam as certezas, pensamos duma maneira mas pouco depois se nos apresenta outro ângulo de vista diferente, enquanto um silêncio expectante de fundo se generaliza, que {tapamos} com afirmações e conselhos mais ou menos afortunados; com cada crise, e não falta, aparece patente o melhor, também o pior, de cada um de nós.

A média/meia tarde de sábado ainda se prolonga o Conselho de Ministros, nada se sabe, todos os planos horários de comparências, aparecimentos em televisão, e previsões, foram ao {garete}; nos podemos imaginar a essa conjunto/clube de mulheres e homens, com responsabilidade, que já levam um monte de horas lidando com a saúde, e a economia, de 47 milhões de espanhóis. Suas angústias, suas muitas dúvidas e temores, essa hora da verdade na qual, oxalá e segundo o dito antes, sejam capazes de extrair o melhor do que som capazes.

As jornadas, sobretudo a de sexta-feira e o que levamos de sábado quando isto se escreve, também som já esgotadoras para os jornalistas. Atropelados, como não pode ser doutra maneira perante circunstâncias que nem os mais veteranos têm vivido –o mais parecido poderia ser o 11-M, e algo mais afastado o 27F- e que põem a prova outra vez este ofício de serviço público, em horas mais bem baixas que altas, que se enfrenta sempre a parecidas dúvidas em encruzilhadas de crise.

Somos ‘{noticiópatas}’, não o podemos evitar, por isso a maioria estamos nisto e apesar de tudo, nos gosta. Capazes de receber/acolher, processar, e dictaminar/enviar dados variados, ou com apenas matizes de mudanças, uma e outra vez, na convição de que resultam de grande interesse/juro e vão ser lidos, ou ouvidos, mas com a dúvida periódica, após cada ‘peça’ como se diz no gíria do jornalismo digital, de se às vezes {confundimos} mais que {aclaramos}.

MUITA INFORMAÇÃO pode acarretar desinformação; como profissionais temos a capacidade, quase patológica, de esgaravatar e encontrar a novidade, o foque, o {noticioso}, o titular. Mas às vezes a diferença é tão subtil, tão {nimia} para quem quer estar informado, que me recorda a essa {caterva} de informadores que seguem/continuam a um líder em campanha eleitoral, que como bom rebanho, mas com uma precisão das que chamam cirúrgica, sabe encontrar ‘o novo’ no aborrecido discurso que o candidato vai dando dois e mais vezes ao dia durante duas semanas.

Como jornalista, nesse atropelamento no qual a crise sanitária nos envolve, como a todos, me surpreendem por sua questionável qualidade técnica essas peças, essas notícias impressas ou em ecrãs, que {cansinamente} se vêem obrigadas a incluir no titular a palavra maldita, {manida} e portanto desgastada, ‘coronavirus’; coxa você uma capa digital de qualquer meio e das seis ou oito primeiras notícias estranhíssimo seria que pelo menos cinco não repitam o vocábulo, como se não soubessemos que tema nos envolve as 24 horas, a que nos estamos referindo. Como se tivesse outro problema, outra notícia, vamos. Repetições, repetitivos, uma simplicidade imprópria da inteligência média/meia do leitor, e uma falta de imaginação e perspectiva de conjunto/clube que profissionalmente dá {grima}.

Quando um problema de tal magnitude explora, e tudo som más notícias –positivos, mortes, histerias em supermercados, queda/redução das Sacos, fecho de aeroportos, ruínas empresariais- um se pergunta sempre se passadas umas horas chega o momento de parar, de deixar de assustar, e temos de {atemperar} e {echar} mão doutras coisas, não relacionadas com a epidemia, que seguem/continuam passando. Mas, «temos de informar», nos dizemos; «temos o dever de informar», pensando apenas só/sozinho nesse hiperconsumidor de informação que tem em twitter seu droga efémera mais genuína. E continuamos adiante.

Em toda explosão informativa costuma ter uma fase inicial de hiperconsumo de notícias, para passar logo a um asco diante da falta de variedade. E chega o momento não da novidade estatística, das declarações do político que procura não já um minuto mas um segundo de glória; se apresenta necessário contá-lo através das pessoas, do que também em gíria profissional, denominados ‘histórias humanas’, as que realmente se lêem e ajudam a compreender.

* Jornalista

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