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Em minha modesta opinião

 

PILAR Garcés
23/02/2020

Uma querida/cara companheira contava que a o seu pai, médico de profissão, uma senhora se lhe dirigiu após relatarle seus sintomas: “¿Que me passa, médico/ doutor, em sua modesta opinião?” {Ay} das opiniões modestas, ¿que foi delas? Na comédia ‘Se a coisa funciona’ de Woody Allen, um professor de xadrez sem filtros explica a uma mãe queixosa que atirou as peças à cabeça do menino «para sacudirle seu falta de jeito vegetal». Perante o espanto da progenitora, que sustenta que seu filho é muito pronto/inteligente/esperto, o brusco monitor responde: «Na sua opinião, senhora». Na sua opinião. Se abre o melão de submeter a capacidade de um pequeno humano a debate, a mulher terá que estar preparada para ouvir vozes discrepantes. As opiniões se expressam com maior/velho ou menor fortuna, com mais ou menos risco, e com sorte sustentadas nalgum fundamento. Minha opinião é só/sozinho minha, e a partilho sem ânimo de ofender, embora nunca se sabe. No entanto, certas opiniões se têm nutrido de {inmodestia} e há coletivos com muitíssimo tempo livre dispostos a esgrimir crenças verdadeiras como punhos e defendê-las onde faça falta, com leis discutíveis interpretadas a miúdo da pior maneira possível para aqueles que não seguem/continuam a corrente.

Os advogados cristãos que levaram perante os tribunais ao ator {Willy} Toledo por faltarle ao respeito a seu deus. O ativista que denunciou as canções do rapista {Valtonyc} por enaltecimento do terrorismo. Os sindicatos policiais que acusaram ao desenhador Toni Galmés por calúnias ao corpo num banda desenhada sobre/em relação a o 1-O de Catalunha. Se a mãe de Se a coisa funciona tivesse pertencido a um clube de cidadãs com energia que delapidar, o {huraño} professor que lhe disse «não posso ensinar xadrez a um {zombi} inútil» tivesse sido imediatamente sentado no banco. E muito possivelmente condenado.

Teve que ser precisamente {Willy} Toledo esta segunda-feira, obrigado a perder seu tempo defendendo seu direito a expressar-se como deseje diante de um juiz, quem criticasse que, longe de emagrecer, o lista de assuntos dos que não se pode falar com liberdade vá a somar itens. O Executivo de esquerdas, que ainda não tem derrogado a lei {Mordaza} que deixou a Espanha à altura de qualquer monarquía {bananera} quanto a proteção dos direitos civis, tem anunciado que tipificará como delito a exaltação do franquismo. Que necessidade terá de revitalizar com uma injeção de censura ideologias mumificadas que só/sozinho se manifestam em quatro {tuits} provocadores e meia dúzia de sobremesas plúmbeas. Não é o que se espera de um governo progressista, certamente, esta contribuição à {infantilización} da sociedade pela via de proibir o pensamento livre (seja ou não do nosso gosto) e sua expressão (mais ou menos grosseira). Neste horizonte interminável de ofensas possíveis, começa a ter tantas coisas que não se podem dizer, das que não se deve escrever, que caberia agradecer que o próximo conselho de ministras produza um folha com os assuntos dos que se pode ter uma opinião que não te leve à cadeia, ao exílio ou a uma provisão de fundos para o advogado. Omeleta de batatas, com ou sem cebola; Papá Noel ou os Reis Mágicos; carro/automóvel de gasolina, elétrico ou híbrido; praia ou montanha; a {alineación} do Madrid e do Barça; estamos sós na galáxia ou acompanhados. Eu {opino} que acompanhados. Modestamente.

* Jornalista