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El Periódico Extremadura | Domingo, 17 de novembro de 2019

Dobro cenário

Se se produz qualquer das duas situações, a governabilidade está longe de estar assegurada

ALBERTO Hernández Lopo
08/11/2019

 

A verdade é que, agora que está concluindo a famélica campanha e {arrecian} as (quase sempre) tendenciosas sondagens, o que {encontramos} é um panorama bastante claro.

Como já sabiamos, os debates têm servido para muito pouco/bocado. Não são muito úteis para desequilibrar a balança. Se talvez valem como método acelerado para perder votos, por erros grossos ou indecisões hesitantes. Ou se calhar para {arañar} algum voto entre os indecisos. Na verdade, pouco/bocado mais se lhes pode pedir. Mesmo têm funcionado bem como entretenimento audiovisual (que diria {Scorsese}), mas com tão escassa profundidade nas mensagens, e nível em geral, que se faz difícil pensar que joguem um papel {decisor}.

Já é tão simples como esperar umas horas ao desígnio das urnas. Acontece que a dois dias da votação somente se adivinham dois cenários de governabilidade: um aumento de votos/assentos parlamentares para Pedro Sánchez ou que o bloco de direitas, {PP+Vox+Ciudadanos}, consiga uma cifra que se aproxime à maioria absoluta. E se supõe que chegámos a Novembro procurando isso: alguém que ocupe o trono.

Não sei se {concedemos} em excesso aos assessores de cabeceira ou {spin} {doctors} uma influencia que realmente não ostentam. Será que nos gosta pensar que sempre há uma mente professora ou uma planificação exaustiva e equilibrada que toma as decisões de forma {cartesiana} e análises clínicas. Está longe de ser verdade, infelizmente. Mas, certamente, se alguém tem sabido transferir o papel de canalizador entre bambolinas ao terreno próprio do ator principal, como {demiurgo} do governo socialista, foi Iván Redondo. De forma que a repetição eleitoral parece surgir duma decisão estratégica do assessor presidencial. Somente a seu empenho em continuar jogando (e por enquanto ganha, não lhe {restemos} seu crédito) sua particular verba/partida de xadrez ou a comprovada falta de solvência política do candidato Sánchez podemos fazer responsáveis da repetição eleitoral.

Mas não se adivinha hoje uma melhoria dos resultados de Abril para o PSOE. O que agrava a sensação de um excesso de confiança insensato. As caras e declarações dos líderes socialistas são bastantes gráficos, e em Sánchez se desenha o ricto daquele ao que lhe têm pegado o {farol}. As mudanças desde Abril foram escassos: nem Mais País surgirá como força relevante/preponderante nem conseguiram pôr de lado aos restos do naufrágio de Podemos. Não sei se antes Sánchez dormiria bem, mas não parece que lhe vão a conceder não já a força maioritária que ele reclamava. Pode reclamar a via da abstenção dos outros partidos, em especial do Partido Popular. Mas para isso necessita crescer: um cadeira mais, pelo menos.

Na {bancada} contrária, o sono/sonho são os 170 assentos parlamentares, no mínimo, entre as três forças. E, em princípio, pouco/bocado importa a distribuição entre elas, assumindo que pactuarão com toda segurança e que os populares serão a força hegemónica entre os conservadores. Para chegar à cifra mágica, os requisitos não são nada simples: uma mobilização superior na direita que na esquerda e um transvase de votos de parte da esquerda, especialmente a {Vox} (que recolhe/expressa muito voto em áreas não urbanas ou de menor capacidade aquisitiva).

O pior de tudo é que mesmo se se produz qualquer das duas situações, a governabilidade está longe de estar assegurada. Por parte dos socialistas, porque embora melhorem o resultado se verão obrigados a uma negociação {endiablada}. Sánchez não tem demonstrado por enquanto cintura negociadora. Que, com tudo, não é o mais grave. Por deixar-se todas as opções abertas, não negou nem que vá a pactuar com nacionalistas nem que não vá a acordar a investidura com Ciudadanos e, se fizesse falta, PP. Não é questão de que esta tática lhe diminua votos mas pode impossibilitar qualquer acordo de governabilidade.

A subida de {Vox} tem o mesmo efeito para os populares. Uma maior capacidade dos de {Abascal} obrigará aos populares a assumir determinadas concessões numa negociação que pode afastar a outros desse acordo. Sim, também a Ciudadanos. E conseguir a maioria absoluta entre os três nem sequer é uma possibilidade recolhida em nenhuma sondagem.

Por isso, {fíjense}, podemos ter que assistir a outra época mais para ver quem e como se obtém o trono. E aqui o problema não é o simples aborrecimento. Continuará (no domingo).

Quartas eleições.

*Advogado. Especialista em finanças.

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