+
Accede a tu cuenta

 

O accede con tus datos de Usuario El Periódico Extremadura:

Recordarme

Puedes recuperar tu contraseña o registrarte

 
 
 

Distância de segurança

 

PILAR Galán
30/07/2020

Fica confirmado, sem dúvida alguma. Aqueles que eram {imbéciles} antes da suposta normalidade, seguem/continuam sendolo agora, se calhar por defeito de fábrica, excesso de cozimento ou falta de leitura, que tudo é possível. Fomos demasiado otimistas, três meses de confinamento não dão de sim para dotar de sentido comum a quem lhe sobram os cinco que vêm de série. Vejo-os agora pela rua, e ao contrário/pelo contrário/ao invés que {Terencio}, começo a desejar que tudo o humano (só/sozinho deste tipo) me seja alheio. Os demais, os que sofrem, os que têm medo, os que sabem que perderam ou que podem perder, os que tomam precauções e se sentem deprimidos, sem vontade de sair, os que se confessam {embotados}, lentos, cansados de lidar com uma situação incerta…todos esses não me som alheios em absoluto, não sabem como os compreendo. O medo é um sistema de proteção, neste caso inteligente, e cansa estar sempre em guarda. Mas os {imbéciles}…esses seres que atravessam o terraço sem máscara para perguntar-te se te podem dar dois beijos ou {eres} das histéricas, e acentuam histérica, com o {retintín} de aqueles que estão e se sentem a salvo. Ou se cruzam a cumprimentar-te com a máscara no cotovelo ou no pescoço, e cada vez que {das} dois passos atrás para afastar-te, se vêem obrigados a chegar cada vez mais, não {seas} histérica, de novo, não passa nada, tudo é mentira. Já podes falar-los de mortes, sequelas, da {UCI} cheia, dos dias pesados como pedras nos que as ruas estavam vazias. Sua resposta continua a ser a mesma, não {seas} histérica, {déjate} tocar, beijar, deixa que meu filho se suba a teus joelhos, não me dá medo, deixa que me monte em teu carro/automóvel sem máscara, ou me suba contigo no elevador, ou que beba de teu cerveja, total, que vai a passar. E tu {sientes} que a corda se tensa, que quem não respeita o espaço nem a decisão provavelmente não é teu amigo, que quem pensa que {exageras} porque te {lavas} as mãos, ou não {acaricias} a seus meninos, não só/sozinho é um ignorante mas um perigo. Não lhe vais a convencer embora {enumeres} cifras, embora {hables} dos sanitários ou dos voluntários ou todos os que têm encostado o ombro estes dias. É sua obrigação, te dirão. Vive e não {pienses}, te dirão também.

Usufrui ao máximo por se {volvemos} a encerrar-nos em outono. Enquanto, vais dando um passo atrás, para afastar-te, para manter uma distância de segurança que não só/sozinho serão dois metros, nem metro e meio, mas uma vala enorme, uma fratura no tempo, uma greta pela que {acabas} de vislumbrar que a {imbecilidad} é o vírus mais contagioso, mais insolidário, e sobretudo, mais daninho. Contra ele o único confinamento útil seria o que se aproveitasse para ler algum livro, formar-se um pouco/bocado, deixar cair umas gotas de conhecimento no terreno baldio da perigosa e árida ignorância.

* Professora e escritora