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O dilema

 

JUAN JOSÉ Millás
26/07/2020

{Aveces} uma má notícia vem pelo este enquanto uma boa se aproxima pelo oeste. Chegam com cinco minutos de diferença, primeiro a má, logo a boa. Ocasos sobre/em relação a uma balança, o beneficiário e vítima tenta apurar se a maldade da primeira anula a bondade da segunda. Se pergunta se lhe deve pesar mais a alegria que a tristeza. A euforia, para o {bipolar}, é a véspera da depressão e a depressão a da euforia.

Temos dois pernas e dois braços e dois olhos, etc., para simbolizar o desdobramento da existência, que é dual, estereofónica: pelo {bafle} da esquerda se ouve a gargalhada da vida e pelo da direita o bramido da morte. Ou ao revés. Em qualquer caso,ambos sons pertencem à mesma sinfonia.

Numa página do jornal podem convivir os {natalicios} com as anúncios de óbito. Do útero ao ataúde há dois passos; um, se {vienes} ao mundo com uma só perna. Este texto tão {lóbrego} tem um costado frívolo porque a banalidade e a {lobreguez} som o peito e as costas da criação.

Há verões frios e invernos quentes porque tudo o que existe alberga o contrário dentro de sim. Também nós levamos um contrário que às vezes nos leva.

- ¿É você Juan José Millás? -me perguntam na guiché de Finanças.

-Sou seu contrário -digo.

- ¿E isso que significa?

-Que o levo dentro. Levo dentro a Millás porque ele me levou dentro durante o inverno.

-Pois firme/assine aqui e aqui.

{Firmo} em duplicado, em estereofónico, com uma rubrica alegre e outra infeliz. Quando {llego} a casa, me chama um primo irmão:

-Tenho dois notícias, uma boa e outra má -diz-. ¿Por qual {prefieres} que comece?

{Cuelgo} sem dar-lhe tempo a continuar. Se uma delas é má, penso, as duas som más. Embora, se calhar se uma é boa, as duas sejam boas.

Quando se mistura a sal com o açúcar, prevalece o sabor da sal. ¿A sal era a boa ou a má notícia?

Tenho aí o dilema. *Escritor