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El Periódico Extremadura | Quarta-Feira, 20 de septembro de 2017

Dias de festas, vésperas de nada

Baixo/sob/debaixo de um comando de orgulho temos de dizer que na Extremadura o substancial é o público

ALBERTO Hernández Lopo
08/09/2017

 

No momento exato em que estas linhas se escrevem, não. Mas quando cheguem a vocês, será dia de festa. Nesta casa, O Jornal Extremadura, também o é, já que hoje se produz o lançamento do novo design da web. Se o {adagio} semeava a dúvida de renovar-se ou morrer, no mundo digital se tem revelado curto: o novo paradigma é a atualização (contínua). A nenhum, os que escrevem e os que lêem, se nos escapa a {paulatina} mas imparável tendência à leitura desde dispositivos digitais, que somam já grande parte de trânsito dos meios. A esse repto/objetivo temos de responder. Embora alguns ainda {disfrutemos} do {crujir} do passar de páginas {absortos} num café e o {zigzagueo} entre páginas. Não há nada como a liberdade de eleição.

Uma liberdade que levou a escolher neste dia de lançamento por sua coincidência do Dia da Extremadura, 8 de setembro. O calor dos {autonomismos} primeiros, nesse despertar inocente/feriado que alguns -em benefício próprio- querem converter em ressaca lá no nordeste, provocou que a distribuição territorial e organizativa do estado {mutara} em orgulhos de pertenença. Já existiam, sem dúvida. Alguns com longa tradição. Mas a santificação autonómica foi uma festa coletiva de salvas à identidade regional.

Na Extremadura isto se comprova até na configuração dos festejos. «Renascida» como autonomia, Extremadura quis atirar-se à rua. De repente, o tempo dos novos hinos, bandeiras e demais signos externos, {brotó} como perfeito cenário no qual mostrar a satisfação de saber-se (e que os demais soubessem) extremenhos. Os primeiros anos, o 8 de setembro era mais uma festa popular que uma celebração institucional. Cada ano, no entanto, se diminuía um pouco/bocado desse entusiasmo popular e se acrescentavam bocadinhos de seriedade institucional. Um perfeito reflexo da sociedade: Extremadura estendia um manto de seriedade representativa ao mesmo tempo que os representados viam no dia pouco/bocado mais que uma perfeita oportunidade para agarrar uma ponte (com algo de sorte). Mérida, a emérita oficial, tem suprido o entusiasmo diluído do resto da região.

¿Que celebra-se hoje? Está claro: o dia da Extremadura, «nosso» dia. Mas isso já o disse antes e vocês se sabem de sobra o verde, branco e negro. ¿Que {celebramos} exatamente os extremenhos em nosso dia?

Também não é que faça falta muito para celebrar. Mas o calado do dia exige autêntico fundamento. Em meu caso, somente cabe supor: {celebramos} nosso passado histórico, rico em História em maiúscula e presente no imponente levantado do nosso património cultural. {Celebramos} a beleza da nossa região, a tremenda diversidade de zonas e {paisanaje}. {Celebramos}… em fim, não quero {adentrarme} em lugares comuns, por isso vou a deixar isto aqui. O passado, incluído o presente. Mas, ¿e {celebramos} nosso futuro?

Não sejamos {agoreros}, é evidente que Extremadura tem progredido notablemente os últimos 30/40 anos. O que cabe perguntar é se muitos dos que vão a sentar a celebrá-lo têm contribuído {decisivamente} a isso. Era difícil suspender-se no ambiente de um país como Espanha que foi arrastado à cabeceira de potências económicas. Era complicado não aproveitar os centenas de milhões de euros que têm entrado via Europa, injeções para evitar que Extremadura seguisse/continuasse na cauda de regiões em desenvolvimento na Europa. Mas é que segue/continua aí. Tal como se repetem os discursos dos presidentes de revezo ano a ano.

Baixo/sob/debaixo de o manto do orgulho (e esquecendo'ns de partidos e ideologias), o substrato sempre é o mesmo: na Extremadura o substancial é o público. A iniciativa privada é suspeita, {segundona} e suspeita face à nobreza do sector público, que tudo o inunda. E aí continuamos: apanhados no blues de Mérida sem poder/conseguir sair.

Podemos debulhar os «{males} endémicos», mas é uma lista de suspeitos habituais: desemprego, conexões {decimonónicas}, infraestruturas desaproveitadas, subsídios improdutivos. Na radiografia sairão pontos de saúde, mas é sintomático que tenha problemas que se tenham convertido em crónicos. Que se recitem de corrido, como uma {alineación} titular. E são os mesmos porque a solução sempre parte do mesmo sítio, da mesma crença, da mesma estrutura. A problemas mudáveis, atualizados se empregam (só/sozinho) soluções clássicas. O resgate do público é nosso maior peso. Que celebrem melhor vésperas.

* Advogado. Perito em finanças.

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