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¡{Dejadme} morrer, por caridade!

 

RAMÓN Gómez Pesado
16/02/2020

¡Que difícil tem que ser, em política, ter que votar contra do que interiormente se pensa, por estar sujeito à disciplina que te marca e ordena o partido político ao que se pertence! Me {refiero} ao tema da Eutanásia, que agora se votou na Câmara Baixa e que se tem aprovado regular/orientar por lei com 201 votos a favor e 140 votos contra, com dois abstenções.

Está claro que muitos dos centena quarenta votos contra, que pertencem a deputados do PP e de VOX, terão experimentado em suas próprias famílias, ou parentes e familiares, algum caso terrível de doença incurável na qual, seguro, terão dito ao ver alguém prostrado em cama, sem solução nem dignidade alguma que «¡oxalá Deus se o levasse!». Lhes tem que haver afetado e lhes tem que doer ver sofrer a alguém sem nenhum {viso} de melhoria e com vontade de morrer, e possivelmente, como humanos, considerem lógico apoiar uma lei que como políticos têm que rejeitar por estrito mandato em suas filas.

E é humano compadecer-se quando se vê sofrer a um semelhante que necessita ajuda para morrer com dignidade, sempre que a própria pessoa tenha expressado voluntariamente esse desejo. Entendo que os políticos trabalham seriamente para fazer leis que {dignifiquen} ao cidadão e lhes faça usufruir enquanto dura sua estadia terrestre, não só de uma boa qualidade de vida, mas também duma boa qualidade de morte.

E Deus está demasiado preocupado com tudo o que tem lá em cima para ocupar-se também dos assuntos terrestres. Por isso, o desejo de «¡oxalá Deus se acorde dele e se o levasse!» quando alguém vê que alguém está a sofrer perante uma doença terrível que lhe impede ser pessoa, que lhe impede viver com uma mínima dignidade, não é suficiente. São os políticos os que devem encarregar-se de propor leis, e neste caso, uma lei de eutanásia que vele, nos casos que se necessitem, por ajudar a pessoas que estão a viver já uma morte em vida.

E isto não é tarefa fácil, porque não se trata de permitir «o suicídio» ou de poupar em pensões, como {peregrinamente} alguns aludem para justificar seu voto contra da criação desta lei, mas legalizar a ajuda da sociedade à não desumanização do indivíduo quando sofre no limiar duma morte anunciada que lhe arrebata sua dignidade.

Temos os vivos, e temos tido sempre, uma cadeira pendente que é falar com naturalidade da morte, tão intimamente ligada à vida. E a vida não deve ser aquele vale de lágrimas que os {monaguillos} {cantábamos} na Salve do {Catecismo}, mas um lugar onde se advogue por viver sem sofrimento. Se alguém roga não querer sofrer a dor insuportável que lhe produz uma doença incurável que lhe priva de sua qualidade humana, não podemos fechar os ouvidos, embora se pertença a um partido político que te dite fazer ou dizer o contrário.

Oferecer a possibilidade de escolher a um cidadão numa sociedade justa não obriga ao indivíduo a essa eleição se não o deseja, mas quando se pergunta a dez pessoas do nosso país e sete estão a favor de pôr travão a um sofrimento injusto e inumano com uma lei que, justamente, controle o direito a morrer com dignidade, qualquer político que se {precie} deve dar-se por aludido e atuar {coherentemente} na nova lei de eutanásia para que ninguém, nunca, tenha que precisar da caridade de ninguém para poder/conseguir morrer dignamente.

*Professor jubilado.