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El Periódico Extremadura | Sexta-Feira, 22 de junho de 2018

Dar-se de bolos

MARIO Martín Gijón
06/01/2018

 

Como é sabido, os juízes de Bruxelas, que certamente não tenham provado a bolo em sua vida, acabaram por proibir a denominação de «Queijo e bolo de La Serena», dando a razão aos queixosos do Casar de Cáceres, que reclamavam a exclusividade do termo de ‘bolo’.

Era previsível que os juízes falhassem nesse sentido, do mesmo modo que o {feta} já só/sozinho é o grego, e se é búlgaro ou espanhol terá de chamar-se queijo balcânico ou queijo para saladas.

O de menos são argumentos como que a bolo é um tipo de queijo e não uma origem, que tenha muitas mais ovelhas em La Serena que nos planos de Cáceres, ou que a bolo da Serena, segundo tenho ouvido a mais de um cacerenho, seja melhor que a do Casar e que esta se tenha posto demasiado face.

O mais triste é que esta guerra {queseril}, embora {incruenta}, seja fratricida, entre dois localidades extremenhas. Que, por exemplo, peruanos e chilenos cheguem a insultar-se por quem tem direito a usar o termo do ‘{pisco}’ é outra coisa, pelo menos é entre países diferentes.

Tem privado em nossa terra, como costuma passar, a mesquinha ideia de que melhor que o bolo se reparta entre poucos, em lugar de aceitar uma sara competência, pois parece claro que tinha suficiente mercado para ambas bolos e que cada qual escolhesse a que mais lhe goste.

Nos contava o professor Jesús Terrón, pouco antes de reformar-se, que de moço pegava a bicicleta e ia com os seus amigos cacerenhos a provocar aos ‘{puebleros}’ do Casar.

Hoje em dia, o Casar de Cáceres é um exemplo de dinamismo industrial do qual deveria aprender a capital da província.

Com um polígono onde se encontram empresas como {Imedexsa}, que fabrica torres elétricas para meio mundo, com várias construtoras que têm sabido superar a crise e ser competitivas, e sobretudo com uma notável indústria agroalimentar, que produz desde a leite A {Casareña} (a melhor que se possa consumir por aqui) a, naturalmente, a Torta del Casar.

Em lugar de entrar em discórdia com outros produtores extremenhos e dar-se de bolos por levar o nome de ‘bolo’, mais teria valido competir {lealmente} por um lado e somar forças pelo outro para defender os interesses comuns.

Entretanto, nas grandes superfícies, no DIA, o Lidl ou o Mercadona, dominam os queijos manchegos ou de Valladolid, e apenas se podem encontrar queijos extremenhos. Nem do Casar, nem de La Serena.

* Escritor

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