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El Periódico Extremadura | Terça-Feira, 16 de janeiro de 2018

A confissão

DANIEL Salgado
09/01/2018

 

Não é o mesmo ser um «plano b» em prisão que ser um «plano a» em Bruxelas, obviamente. Daí que {Oriol} {Junqueras}, vendo-se em desvantagem, {acudiera} na quinta-feira ao Tribunal Supremo com uma confissão: «Sou um homem de paz». Esperava assim, se calhar, comover aos magistrados e que lhe deixassem em liberdade, que é o que não fizeram, nem comover-se nem deixar-lhe em liberdade. {Ah}, dura {lex}... O caso é que só/sozinho em liberdade poderia {Junqueras} ser o «plano a» do seu partido para presidir a a Generalitat, e não na sua condição de «plano b» em presídio. Lástima que comover-se não seja o próprio dos tribunais, que não aceitam mais confissão que a dos factos/feitos. E que {Junqueras}, portanto, siga/continue em prisão e continue a ser o «plano b», sem compreender porque é que.

¿Sem compreender porque é que? Alguém que se tem dedicado «ao estudo e a investigação, à escritura e a docência», alguém que deu «classes de onze licenciaturas universitárias», alguém que tem escrito/documento «dúzias e dúzias de artigos de divulgação» e «um mão-cheia de livros», alguém que diz ter facto/feito tudo isso e mais (o {entrecomillado} é seu, claro), alguém assim deveria compreender porque é que é um «plano b» para seu jogo/partido e porque é que segue/continua em prisão. ¿Se perguntou porque é que Carles Puigdemont fugiu sem ele? Pois aí tem a resposta a sua condição de «plano b». E quanto a o outro: se confessar que se é homem de guerra não é razão para encarcerar a ninguém, confessar que se é homem de paz também não é razão para o contrário.

É óbvio que {Junqueras}, homem de convições religiosas, tinha acreditado que mediante a confissão obteria a liberdade como se obtém o perdão dos pecados. Daí a confissão preparativa, preventiva, que fez também aos jornais faz um mês, quando escreveu uma carta {paternal} na qual sobressai este restante: «Vos quero como todos os pais querem a seus filhos... e, com toda modéstia, me parece que um pouco/bocado mais». Um pouco/bocado mais, diz, com toda modéstia. Um pai que confessa querer a seus filhos um pouco/bocado mais que qualquer pai quer aos seus só/sozinho pode ser um «plano b». E, infelizmente, só/sozinho pode estar em prisão.

* Funcionário

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