Menú

El Periódico Extremadura | Quinta-Feira, 2 de abril de 2020

Conexão extremenha de {Ernesto} Cardeal

JUAN JOSÉ Ventura Fernández
10/03/2020

 

{Ernesto} Cardeal nos disse adeus na semana passada e parece que com ele vai-se uma forma de entender a vida, a religião e a existência humana. O padre impulsor da Teologia da Libertação protagonizou uma das imagens mais icónicas dos anos oitenta, quando ao ajoelhar-se perante Juan Pablo II para receber/acolherle no aeroporto de {Managua}, recebia uma reprimenda histórica -com dedo inquisitorial incluído- que marcava seu caminho fuera do sacerdócio. Felizmente, o sacramento do perdão foi exercido com sabedoria pelo papa Francisco, quem faz menos de um ano o reabilitava, a seus 95, no exercício do {presbiterado}. A monumental bronca de Juan Pablo II foi porque Cardeal fez parte do Governo sandinista como ministro de Cultura (1979-1987) após colaborar com o Frente Sandinista de Libertação Nacional ({FSLN}) no queda do ditador {Anastasio} {Somoza}.

E ainda que não o criam/acreditem, existe uma conexão de {Ernesto} Cardeal com Extremadura. Dois de seus professores, que lhe marcaram em seu devir revolucionário, foram os extremenhos Tomás Calvo Buezas, natural de Tornavacas, e Enrique Sánchez de Valadés, de Don Benito, que lhe deram turma no Seminário Internacional de Vocações Tardias da Sobrancelha, de Medellín ({Antioquia}).

Não têm gostado à Igreja os padres que levantam a voz contra os poderosos, embora em América latina a situação sociopolítica empurrasse a isso. Também não acredito/acho que lhe gostem os padres poetas como Cardeal, que em várias ocasiões esteve proposto ao prémio Nobel. Famoso é seu poema {epitafio} a {Marilyn} {Monroe} no qual denunciava a todos os que a levaram a seu suicídio. Fiel a seus idealizadores libertários, em seus últimos anos se dedicou a denunciar os demandos de Daniel Ortega, a quem assinalou como ditador. Cardeal merece um vazio na história da Literatura. Pelo menos, o poeta da Teologia da Libertação tem morto reconciliado com a Igreja. Provérbio: Humano é o errar e divino o perdoar/desculpar.

*Jornalista.

As notícias mais...