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Que se comam a pizza, e que se calem

{Tienes} direito a ser pobre, mas não {tienes} direitos, pelo menos direitos de consumo

 

Que se comam a pizza, e que se calem -

FRANCISCO ISIDORO Vega Gómez
30/07/2020

A pobreza tem vindo para ficar. E para reproduzir-se. Isso é o que parece que acontece em Espanha, onde nos últimos anos mais e mais compatriotas nossos caem irremediavelmente nesse círculo vicioso da pobreza, numa pandemia para a que existe vacina, mas da que muito poucos parecem preocupar-se. Tal foi o crescimento e reprodução da mesma que até à palavra do ano 2017, «{aporofobia}», cunhada por Adela Cortina, tem a ver com este conceito/ponto. É que, junto à pobreza, sempre vem aparelhado o nojo, quando não o ódio e a culpabilidade, até o pobre.

Isso é o que podemos concluir dos últimos trabalhos de meus colegas da Harvard Business School, Serena {Hagerty} e {Kate} {Barasz}, publicados pela {National} {Academy} {of} {Sciences} {of} {the} United States {of} America. Estas dois investigadoras levaram a cabo vários estudos sobre/em relação a como {juzgamos} as decisões de compra dos pobres e dos ricos, embora os pobres não tenham recebido ajuda pública alguma para essa compra, e os resultados som claros: os pobres não têm direitos de consumo.

Os participantes no estudo consideram que uma família de rendimento baixa não deveria comprar, por exemplo, um computador ou roupa desportiva (estudo 3º), nem sequer, embora isso suponha maiores/ancianidade opções de encontrar melhores empregos, dar uma melhor formação a seus filhos ou incrementar suas opções de melhorar seu rendimento. Em definitiva, {tienes} direito a ser pobre, mas não {tienes} direitos (pelo menos direitos de consumo como os que temos os demais), porque {eres} pobre. Porque, ¿que dúvida cabe? Navegar por internet no ano 2020, ou fazer desporto para estar são, som um luxo que os pobres não deveriam permitir-se. Outro exemplo: se {tienes} um rendimento baixa, não {tienes} direito a viver num bairro no qual tenha «pouco/bocado ruído» nem num bairro «seguro», porque esses bairros devem estar reservados para pessoas com «maiores/ancianidade rendimentos». Porque como a mulher do César, os pobres, para além de sê-lo, têm que aparentarlo e mostrarlo. Pobres de solenidade. Como Deus manda.

O pior do estudo é que, por muito distante que seja o lugar de realização relativamente a Espanha, é completamente aplicável a nossa sociologia atual. Não posso tirar outra conclusão de meus últimos debates em redes sociais, onde a culpa por ter um rendimento baixa cai unicamente na pessoa que tem esse baixo/sob/debaixo de salário (é que não se terá esforçado o suficiente, repetem uma e outra vez). Mas há algo mais surpreendente ainda, é que as maiores/ancianidade críticas a tudo isto provêm de pessoas jovens, sem emprego ou com empregos precários e, supostamente, bem formados, que esperam poder/conseguir multiplicar seus rendimentos no futuro aguentando salários de miséria hoje (tema que dá para outros muitos debates). E tudo isto não deixaria de ser {debatible} ou de ser uma curiosidade de não ser, porque temos conhecido recentemente os resultados do «Projeto Atlas de Oportunidades», onde a conclusão é clara e concisa: pai pobre, filho pobre; pai rico, filho mais rico ainda. Mas a culpa de ganhar menos de vários milhares de euros por mês é sua, e nada têm que ver suas origens, suas capacidades, sua má sorte quando empreenderam vários negócios, nem suas redes de contacto. Culpado. Esse é o veredito. E como culpados que som, lhes {retiramos} os direitos no âmbito do consumo.

Por isso, quando alguns {criticamos} ferozmente que se lhes desse aos meninos de rendimentos baixos na Comunidade de Madrid menus escolares de comida/almoço lixo diariamente durante o confinamento, alguns nos diziam qualquer coisa como que «bastante é já que lhes dêmos de comer a esses meninos, como para que em cima possam escolher o menu». ¿Lhes teriam dado estes mesmos a seus filhos durante o confinamento comida/almoço lixo todos os dias? Estou convicto de que não, mas seus filhos não som culpados de ser pobres. Pois isso. Que se comam a pizza, e que se calem, essa é seu condena.

*Economista, professor da Uex.