Menú

El Periódico Extremadura | Quinta-Feira, 2 de abril de 2020

Com a quarentena bastará

DANIEL Salgado
10/03/2020

 

Até ao momento, o que parece preocupar do coronavirus é a quarentena. E, apesar dos 16 milhões de pessoas já isoladas no norte de Itália, preocupa só/sozinho como possibilidade, mera contingência. Se diria que enquanto os mortos possam ir contabilizando-se razoavelmente --cifras toleráveis, nada que o apuramento não possa suportar-- e enquanto sejam os que som --mortos de risco, mortos com antecedentes--, o que na verdade deve preocupar é isso: saber se terá que pôr-se em quarentena ou não, seja em casa, por ordem/disposição das autoridades, ou onde estoure um surto, por responsabilidade. Uma {incomodidad}, em todo o caso.

Porque a morte não é uma possibilidade, claro. É que sem sintomas e confiando nas recomendações de higiene --também não é preciso comportar-se como o personagem de {Nicholson} em ‘Melhor impossível’--, ninguém acredita que esta epidemia vá a ir mais além. Está a experiência do ébola, da que o mundo saiu imunizado contra o catastrofismo e, para bem e para mal, já {irreductiblemente} {meliorista}. Assim, por mais que a pandemia deixe de ser potencial --¿falta algum país que ainda não esteja afetado?-- e apesar de ter-se detetado duas estirpes diferentes do vírus, a mortandade continua a ser não só/sozinho oficialmente baixa mas também seletiva, pois suas vítimas som maiores/ancianidade de 75 anos e apresentam «patologias prévias», uma combinação --idade/patologias-- que convem sublinhar, naturalmente, que remédio. Isto é: bastará com a quarentena.

Entre as obrigações das autoridades está evitar a alarma, pois som conhecidos os efeitos de gritar «¡fogo!» no teatro. Mas também a de demonstrar, lá onde falte o sentido comum, que a epidemia, efetivamente, se solucionará previndo o contágio, ou pelo menos se conterá, e que o contágio se prevem mediante o isolamento. E, ao seu lado, o reconhecimento de que se a quarentena é a medida mais eficaz é porque é a única medida. Até ao momento.

E postos a temer, {témase} o dia em que se exija uma atitude positiva, otimista, como acontece sempre que há crise. Não há sintoma mais sombrio.

*Funcionário.

As notícias mais...