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Ciência {vs} impaciência

 

MARIO Martín Gijón
23/05/2020

Estes dias passados foram notícia as manifestações, com poucas pessoas mas muito barulhentas e bem apetrechadas, nos bairros ricos de Madrid e outras cidades, ou face aos domicílios de Pablo Iglesias e José Luis Ábalos. Os mesmos que denunciavam a intimidação que sofriam os seus em Catalunha, não têm inconvenientes em fazer {escraches} e voltar-se antisistema, embora seja com roupa de marca. Enquanto, em Bilbao, {Idoia} {Mendia}, secretária geral do Jogo/partido Socialista Basco, vê como os amigos dos assassinos a chamam assassina e enchem de pintura vermelha seu portal. Como sempre, os nacionalismos, ou nazi-{onanismos}, o da {ikurriña} e o do {aguilucho}, se {retroalimentan} e se refletem. Uns e outros se acreditam melhores que os que não votam como eles. Quanto aos vizinhos/moradores do Bairro de Salamanca, acreditam ser duma raça superior, não por nada enquanto Franco bombardeava Madrid sem piedade pediu expressamente que a aviação {respetara} esse bairro onde agora, oitenta anos depois, arrasam Vox e o PP. O de {recordar} ao caudilho não é exagero: teve bandeiras do {aguilucho} e algum grito de «Sánchez ao {paredón}».

Se ao início o governo o fazia mal por tomar medidas demasiado macias e tinha que confinar e restringir, agora o faz mal por ser demasiado restritivo e afogar a economia. Que o confinamento tenha servido para conter uma pandemia que esteve prestes a ir-se'ns totalmente das mãos, ou que a mesma medida a apliquem em todo o mundo governos de esquerdas e direitas, é o de menos. O que importa é dar lenha e qualquer coisa serve para isso. Frente a o que dita a ciência e suas precauções, está a impaciência de aqueles que afirmarão que a terra é página se isto pode ajudar-los a tomar o poder/conseguir. Em Alemanha, onde o confinamento é muito mais {light}, as manifestações as tem {capitalizado} uma extrema direita que difunde conspirações estrambóticas que às vezes terminam com um aceso patriota matando a tiros/lançamentos a emigrantes.

É evidente que a ciência não avança ao mesmo ritmo que as mentalidades e, se certamente a vacina se descubra em Estados Unidos, também é esse o país onde sai pessoas à rua pedindo que se deixe morrer aos débeis e se reabram os negócios. Na mesma linha parece estar a direita espanhola, que atribui a motivos políticos que Madrid não passasse antes de fase, e que se {ensaña} com Rafael Simancas por atrever-se a dizer algo evidente, que a taxa de {letalidad} do vírus em Madrid algo teve que ver com a {precarización} da saúde que a direita viu como negócio. Por algo Díaz Ayuso exclui ao Ordem dos Médicos duma reunião para tratar sobre/em relação a a {desescalada}: melhor que venham só/sozinho as afins associações privadas. Em fim, a descaramento fascista que mostrava Vox vetando a bilhete da imprensa a seus comícios, e o professor de todos, Trump, desqualificando ao que não seja de sua corda.

Outros {impacientes} som Núñez Feijóoy Urkullu, que não têm podido esperar para adiantar eleições na Galiza e o País Basco. Os sete reinados de Jogo de tronos não som nada comparados com os dezanove reinados de taifas ou de {califas} que compõem nosso país, e aos dois {barones} lhes corre pressa, melhor beneficiar da inércia e a modorra estival pois ninguém sabe o que nos espera à volta do verão.

Que as pressas som más conselheiras o mostra o caso de França, onde por abrir demasiado cedo as escolas teve mais de setenta que tiveram que fechar com os meninos infetados de coronavirus. Entre o que diz a ciência e o que dita a impaciência, muitos se deixam levar pela segunda, gozando com com fanfarronice das precauções. Postos a escolher entre a Bolsa e a vida, muitos põem a Bolsa, ou mais bem, os bolsos próprios, acima das vidas alheias.

*Escritor.