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El Periódico Extremadura | Terça-Feira, 26 de septembro de 2017

Cestinhos de pêssegos

A interação foi a peça mágica, o que permite que algumas coisas funcionem

ALBERTO Hernández-Lopo
01/09/2017

 

Quando {James} {Naismith} se {obsesionó} com conseguir uma atividade desportiva de interior que servisse a seus rapazes nos meses do crude inverno de {Massachussetts}, chegou a sentir-se bloqueado. Com o ginásio como recinto fechado, também se encerravam limitações de tipo prático. No entanto, quando escreveu, quase como um autómato, «não poderão correr com a bola», soube que tinha dado com o germe do que procurava.

Por isso {Naismith} perfilou umas regras que supuseram o nascimento dum dos desportos mais estendidos na atualidade, o basquetebol. Tinha que levá-lo à prática, claro. E quando pensou no objetivo a alcançar com a bola pediu ao encarregado de manutenção que lhe desse um par de caixas de madeira, de meio metro em cada lado. Este, pouco/bocado surpreendido pela petição/pedido mas conhecedor de não poder/conseguir cumprir com ela, replicou que desse tipo não tinha ali não tinha nada parecido. Mas contava com uns cestos de pêssegos. E se os ensinou o professor; «{Naismith} abriu os olhos enquanto os teve à vista. Não eram mais que uns cestos, os mesmos de sempre. E no entanto acreditava estar vendo'ls pela primeira vez em sua vida (…) ¡São perfeitos!».

Desse modo, narra Gonzalo Vázquez o nascimento do basquetebol em sua magnífica jóia de pequenas grandes histórias sobre/em relação a a NBA. Uma dessas leituras, agradecidas, que o verão permite, «recuperando», como se nos meses do estio laboral que já nos deixa nos {enfrentásemos} a um exame impossível e perante nosso próprio sentido do tempo. Quando ouvi outra história do verão, me {retrotrajo} isto imediatamente à memória.

O «fenómeno» Manual {Bartual} superou as estreitas paredes de seu lugar de nascimento, Twitter, para converter-se no que {llamamos} agora «viral». Poucos foram os meios que não têm tocado, ainda seja tangencialmente, o fictício relato do jornalista. Menos foram os críticos que se têm resistido a fazer uma análise literário, a miúdo negativos, ou de sua origem online, a miúdo presos da excitação da novidade. Me interessam mais outros aspetos que o da repercussão.

Isso sim, se essa foi a primeira finalidade, o objetivo está cumprido e superado largamente. Pessoalmente, o relato de intriga-ficção de {Bartual} me tem interessado pouco/bocado. Claro, estar na rede te obriga pelo menos a bisbilhotar. Passei por ali, mas simplesmente não me fez graça.

A «romance» por (curtas) entregas dos dois {Manueles} nem é nova nem é original. A simplicidade e falta de pretensão do autor jogam a seu favor. Não acredito/acho que estivesse em sua mente algo mais que o mero entretenimento e o mesmo carácter {cuasi} efémero da rede ajudou. Também, seu aparecimento num Agosto ávido de novidades e a simpatia de um relato no qual {reconocemos} com sorriso cúmplice as costuras da narração.

Nem nova nem originalíssima. Um relato construído em 140 caracteres é o mesmo que dizer por entregas. E temos notáveis exemplos deste tipo de narração, que favorece o crescimento da sensação de inquietude e curiosidade nos paralisações finais de cada capítulo, gerando a ansiedade e a antecedência do seguinte. Em épocas na qual estes relatos eram habituais, {Conan} {Doyle} reinou, e mais recentemente, {Stephen} {King} tem usado um formato que encaixa como luva a seus relatos (algum meio tem traçado a comparação com {Bartual}).

Ficaria como originalíssimo o meio, mas este tipo de narrações nas redes já existem. Há não reside a essência de seu conquista. O que em minha opinião foi a chave do fulminante êxito foi a interação. {Bartual} recebia de forma imediata reações a cada passo de seu relato, que respondia ou não em função das necessidades da história. Mas satisfaziam ao leitor, que entrava entusiasmado no jogo e ajudavam à construção do relato.

A interação foi a peça mágica. Como quando {críos}, o leitor se sentia imerso num «escolhe teu própria aventura», mesmo mais imediato e reconhecido. Desde o minuto zero, toda a gente sabe que estamos perante um engano, mas um em que se entra agradecido porque se sabe parte dele. Aqueles primeiros leitores e seguidores se sentiam, com legitimidade digital e pioneira, parte do êxito e lavradores da história. Não estranha que famosos como Casillas ou Piqué tenham sido parte vaidosos do jogo. Entretenimento e interação. Se o pensam, {partimos} do «eu» consciente.

E tudo estava aí, mas agora já o vêem como cestos de pêssegos. Que funcionarão perfeitas como canastras, pensou {Naismith}.

* Advogado. Especialista em Finanças.

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