+
Accede a tu cuenta

 

O accede con tus datos de Usuario El Periódico Extremadura:

Recordarme

Puedes recuperar tu contraseña o registrarte

 
 
 

Caminho de volta (IV): a desestruturação

A rutura dos consensos começou sendo económica e tem terminado sendo política

 

Caminho de volta (IV): a desestruturação -

ENRIQUE Pérez Romero
04/02/2020

O Brexit é só/sozinho a ponta do {iceberg} dum dos processos de volta atrás mais preocupantes do mundo contemporâneo: a negação da coletividade face à identidade. A desintegração da UE começada por Reino Unido é um símbolo, pelo que significa de emenda ao caminho empreendido após a II Guerra Mundial.

Alguns levamos anos escrevendo sobre/em relação a a rutura dos consensos que se produziram após 1945. Somos vozes que {clamamos} no deserto, deve ser porque não há consciencializa suficiente do que significou terminar com as grandes guerras que assolaram Europa e puseram à espécie humana contra as cordas.

A rutura desses consensos começou sendo económica e tem terminado sendo política. A desestruturação das classes médias tem suposto a desestruturação dos consensos nacionais e esta, por sua vez, tem ido {socavando} os alicerces da globalização política. Se dá o paradoxo de que a globalização política era a única ferramenta para {embridar} a globalização económica, que foi a causante deste processo de desestruturação. Um círculo vicioso diabólico.

O Reino Unido, fuera da UE desde/a partir de na sexta-feira passada, por sua vez, se está desestruturando. Sua consolidação política, encerrada com êxito após conseguir terminar com o terrorismo separatista do IRA (2008), se tem começado a reverter com o desejo independentista de Escócia (2014). De facto, um 62% dos escoceses votaram a favor de ficar na UE no referendo de 23/06/2016, e agora querem fazer valer esse desejo maioritário unindo, num mesmo projeto político, europeísmo e independentismo.

Falando de independentismo, o exemplo mais emblemático está perto: Catalunha. Espanha parecia ter alcançado um importante grau/curso universitário de consolidação política, até que a crise económica de 2008 deixou ao descoberto todas as contradições e fraquezas. Não é casual que o processo independentista catalão {comenzara} num dos picos da crise (2012). Há quem ainda não sabe ou não quer vê-lo, mas esse processo é a Espanha o que o Brexit a Europa: só/sozinho um sintoma. O que subjaz é o fracasso quase absoluto do projeto do Estado das Autonomias, e quanto mais {tardemos} em acertar com o diagnóstico, mais {tardaremos} em curar a doença.

O processo de desestruturação europeu e os processos de desestruturação nacionais (Reino Unido e Espanha são só/sozinho os dois exemplos mais claros), se {insertan} numa estrutura mundial também decadente. No âmbito económico, ameaçada pelo desprezo dos direitos laborais no gigante chinês, que arrasta ao resto do mundo na depreciação dos custos laborais e, portanto, das condições de vida. No âmbito político, duas das grandes potências (Rússia e China) são regimes autoritários, com o impacto que tem isso no desprestígio da democracia a nível mundial.

O tsunami destruidor afeta em círculos {concéntricos} a todos os níveis, de maneira que a decadência mundial, a desestruturação de Europa e do resto de blocos e os problemas de muitos estados nacionais têm seu {correlato} na descomposição dos movimentos sociais, as famílias e as identidades coletivas. De facto, o efeito último deste processo é o {encerramiento} progressivo em unidades cada vez mais pequenas, cujo única consequência possível é a entronização dos desejos individuais sobre/em relação a o bem comum, isto é, o reinado do individualismo atroz que leva, se é necessário, à eliminação do outro para a imposição da própria identidade.

O assunto é duma profundidade sociológica e política que requereria a mobilização de toda a sociedade e, especialmente, de académicos, peritos e líderes políticos. Mas se somos incapazes de chegar a um só/sozinho acordo frutífero sobre/em relação a as alterações climáticas, cujas consequências se vêem diariamente, ¿como se podem abordar soluções a um problema que é ‘invisível’?

Junto à ‘{deslustración}’ (abandono do conhecimento e a razão), a desnaturalização (abandono da natureza) e a {despolitización} (abandono da política), a desestruturação (rutura das estruturas sociais), ameaça com devolver-nos a velocidade de vertigem a tempos que, neste caso, com segurança, não foram melhores.

* Licenciado em Ciências da Informação