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Bipartidarismo de quatro cores

No fim, se Podemos se une ao PSOE e Cs ao PP, salvo Vox que vai por livre, estamos outra vez no bipartidarismo de sempre

 

Bipartidarismo de quatro cores -

ANTONIO Cid de Rivera
16/02/2020

Um reputado socialista me disse há um ano: «Em dois legislaturas, {volvemos} ao bipartidarismo». Evidentemente não lhe acreditei. Com a efervescência política que vivíamos nessa altura, onde a direita estava dividida em três e a esquerda em dois --e os velhos partidos pareciam afastar-se dos desejos da sociedade, enquanto os novos recolhiam seus frutos--, não via que fora possível semelhante augúrio. O atribuía mais a um desejo pessoal da não desaparição do status {quo} que tinha existido sempre a que estivesse consciente de uma realidade que acontecia perante seus próprios narizes com umas formações tradicionais que faziam águas e outras novas que navegavam de vento em popa caminho das urnas.

No entanto, passado um tempo, tenho de dizer que, tal como vão as coisas, começo a duvidar. Desde que Podemos tem pegado a senda institucional {coaligándose} com o PSOE e Ciudadanos o que quer é somar com o PP lá onde lhe deixem, isto parece um bipartidarismo de quatro cores: vermelho com roxo e azul com laranja. Dois remam num sentido e os outros dois no outro. Só/sozinho fica Vox, jogo/partido que não faz falta assinalar tratar-se duma cisão do PP mas que terá que dizer que tem adquirido identidade própria como aríete contra os excessos independentistas dos partidos catalanistas. Não se sabe que percurso/percorrido terá esta formação cara ao futuro, tudo depende do acontecer da legislatura e da vontade centrista ou não do resto da direita espanhola, mas que dúvida cabe que sua progressão é um facto/feito e o PP, mais que uma vantagem, tem um grande problema.

É curioso o giro/gracioso político que tem experimentado este país. O panorama atual não tem nada a ver com o que teria se Ciudadanos tivesse pactuado com o PSOE em Abril de 2019. O jogo/partido laranja estava chamado a ser a chave do governo de Espanha. No entanto, seus líderes, com Ribeiro à cabeça, não entenderam nunca este papel. Bem pelo contrário, se {rebelaron} contra ele. Com os resultados dessas eleições era perfeitamente possível um governo de centro esquerda com Pedro Sánchez de presidente e Albert Rivera de vice-presidente. Com um apoio de 180 deputados, os nacionalistas não teriam tido o papel preponderante de agora e Ciudadanos teria desempenhado a missão que boa parte da cidadania lhe tinha encarregado: ser moderador e dobradiça da nova política espanhola. Em lugar de isso, o jogo/partido concentrou-se no ‘não’ a Pedro Sánchez e se fechou em grupo/ponta pensando que era possível o {sorpasso} ao PP.

Logo vieram as autonómicas e municipais de Maio, onde se repartiu o tabuleiro municipal espanhol numa mesa em Madrid, e a já conhecida desastre eleitoral de 10 de Novembro que provocou a demissão de Ribeiro e o governo de coalizão atual do PSOE com Podemos.

Agora estamos a ver onde acaba este panorama, mas é lógico pensar que Podemos não vai a poder/conseguir exercer uma oposição/concurso público ao PSOE fazendo parte de seu Conselho de Ministros e Ciudadanos tem fechada a porta de Ferraz e aberta de par em par a de Génova, o qual faz entrever que partidos velhos e novos unam sua senda e estendam a misturar seus caminhos de futuro.

Não vejo a {Inés} Encostadas {resituando} ao jogo/partido de novo e pondo-o do lado do PSOE agora que se tem abraçado Podemos, o inimigo «comunista bolivariano», e tem formado um governo apoiado pelos ‘{ogros}’ de {Esquerra} Republicana. E com dez deputados, a verdade, aduz uma insignificante representação que é muito difícil de administrar cara ao eleitorado se não encontra {cobijo} cedo.

Quanto a Podemos, Pablo Iglesias o é tudo. Sua decisão de reforçar sua liderança interna, seus controlo do jogo/partido, onde já se tinha rodeado de seu núcleo duro (que agora transferiu ao Governo) tem muito que ver com a convocatória de {Vistalegre} III neste mês Março, dois anos antes de o que correspondia. Os maus resultados eleitorais de Abril e os péssimos de Novembro, mais a crise provocada pela saída de Íñigo Errejón, diminuíram sua figura e alentaram, mesmo, alianças em seu contra entre os líderes regionais.

No entanto, agora, com seu bilhete no Conselho de Ministros como vice-presidente segundo, tem acabado com toda oposição/concurso público interna. O {jugárselo} tudo a uma carta após a noite eleitoral lhe tem funcionado às mil maravilhas. Segue/continua adiante e reforçado, fazendo parte de um tandem com o PSOE e contribuindo a uma aliança de esquerdas frente a outra situada em frente de direitas.

Suponho que é o que têm os governos de coalizão, que a oposição/concurso público também estende a {coaligarse} e formar um tudo. Se calhar é um cenário ao que não estávamos acostumados, um bipartidarismo a quatro ou até cinco grupos que a ver onde acaba.