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A batota/logro das imagens

 

JUAN JOSÉ Ventura Fernández
04/02/2020

A cena dos espelhos de A Dama de Shanghai ({Orson} {Welles}, 1948) nos impede ver com clareza quem vai a morrer no fim da filme. Algo parecido acontece neste mundo hiperconetado no qual as redes sociais são uma espécie de sarjeta de informações e dados que chegam ao recetor sem o filtro dos profissionais. Aí reside o valor e o perigo destas pseudonotícias de usar e deitar fora. Na semana passada fui testemunha da ‘toma’ de Feval por parte de agricultores que protestavam pela ruína que é o campo atualmente, ao {pairo} dos tarifas de Trump e asfixiado por produções baixo/sob/debaixo de custo. Sem dúvida um protesto de sobra justificada.

Muitos cidadãos se têm escandalizado da contundência policial contra os que pediam simplesmente viver do campo com dignidade. Em seus telemóveis viam o {tuit} da carga/carrega e esgrimiam essa afirmação cunhada de que «aqui se nos mói e em Catalunha tratam aos ‘{indepes}’ com luva branca», por exemplo. Se têm {viralizado} vídeos curtos nos que as forças de segurança se empregavam a fundo. E aí está a batota/logro. Internet não reflete as horas de provocação contínua e de destroços vandálicos de aqueles que foram a Feval somente a montar o taco.

Um grupo de arruaceiros estava {conjurado} para enrolar-la {parda} e se diferenciava bem de aqueles que foram somente a protestar, como é seu direito. Não gosto a violência da polícia nem de ninguém, mas não seria justo se não dissesse que eu vi vontade de sair no telejornal a qualquer preço. E seguro que pagou algum justo por {pecador} e se levou um pau algum manifestante pacífico.

Acredito/acho que em relação ao campo há muita política do avestruz. E muito intermediário {apoltronado} em gabinetes. Temos de sentar-se a dialogar para que nossos agricultores tenham salários dignos. Nisso {envidio} muito aos americanos, para os que os profissionais do campo são autênticos heróis. Para mim também o são e não têm nada a ver com a marginal "kale borroka" da semana passada. Provérbio: A violência é o último recurso do incompetente. (Isaac Asimov).

* Jornalista