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Bancos de alimentos cheios

 

14/05/2020

Também passou na anterior crise económica: mas teve certo período de {aclimatación}, de preparação para o inferno. O coronavirus tem significado um paralisação em seco de toda a atividade social. Uma paralisia carregada de tragédia e dor, também de vazio económico. Da noite à amanhã, som muitos os que se encontraram sem nenhum tipo de rendimentos. Um abismo para os que viviam ao dia. Trabalhadores afetados por um {erte} que ainda não têm recebido a prestação, autónomos/trabalhadores independentes que têm visto sua atividade reduzida a zero, trabalhadores precários que têm visto volatilizados seus empregos, pessoas que viviam da economia subterrânea... Perfis muito diferentes unidos numa mesma adversidade.

A procura de alimentos aumentou consideravelmente e as consultas sobre/em relação a ajuda alimentar se têm multiplicado por quatro desde/a partir de o início do estado de alarma. A situação é duma angustiosa emergência. As entidades de ajuda humanitária não dão {abasto}, sabem que não poderão manter o ritmo durante muito mais tempo e têm problemas de logística difíceis de resolver.

Som só/sozinho dois meses, mas a vida nos mudou de um modo radical. A alimentação, juntamente com a habitação, passou a ser a necessidade principal. E o pior, o mais preocupante, está ainda por vir. A recuperação tardará. O coronavirus tem arrasado muito mais que a saúde, há sectores que ficarão especialmente tocados. As ajudas do Governo vão chegando e terão que chegar mais, mas o temor é que não cheguem a todos. A sombra do fome é real.

Som muitos os que em sua vida tinham imaginado encontrar-se numa situação assim. Trabalhadores que, de forma repentina, têm visto quebrada sua estabilidade laboral e económica. Também seus planos de futuro. O dano económico é {lacerante}, mas também é preocupado o prejuízo psicológico. A anterior crise já despiu o percalço mental que supõe uma situação de extrema precariedade. A sensação de irrealidade, de não acabar de compreender o acontecido, esse como tenho acabado aqui, pode ser paralisante, frustrante, se não se recebe o apoio e os estímulos necessários para sair do pesadelo.

O coronavirus tem apeado do mundo laboral a muitos, mas também deixou ao descoberto a extrema precariedade, a pobreza mais invisível. Essa que se movia na economia subterrânea, a que sobrevivia a base de biscates e {trapicheos}. Um duro ir atirando que a reclusão tem expulsado da rua e tem condenado a um confinamento de miséria absoluta. Estes dias som multidão as iniciativas sociais que recolhem/expressão dinheiro para que a comida/almoço chegue a todos. A situação é duma gravidade indiscutível. Os bancos de alimentos som o termómetro mais preciso das enormes carências que a pandemia tem provocado, mas também som o reflexo do acordo/compromisso, a generosidade e a {tozuda} resistência cidadã.