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El Periódico Extremadura | Domingo, 8 de dezembro de 2019

Alterações climáticas e modelos económicos

Teria que substituir o critério de competência pelo de cooperação e voltar ao sentido originalíssimo do dinheiro

JOSÉ ANTONIO Vega Vega
02/12/2019

 

As sucessivas crise económicas e a degradação do ambiente fazem que um grande número de cidadãos voltem seus olhos aos movimentos alternativos que, com suas promessas de mudança, estão despertando grandes ilusões. Se pensa que as tradicionais receitas liberais e sociais-democratas já não servem para satisfazer os desejos de justiça social. Se critica as primeiras porque o credo na eficiência do mercado serve para criar riqueza, mas à custa de aumentar as desigualdades sociais. Às teorias sociais-democratas se lhes recrimina que suas medidas de distribuição social são boas para períodos de crescimento, mas nefastas para gerir os períodos de crise por seu descontrolo da despesa público. E a ambas se as critica por seu esqueço do ambiente.

Para dar resposta a estes desejos de mudança têm surgido diferentes teorias. Umas das que mais eco estão alcançando na atualidade são as defendidas pelos movimentos qualificados como populistas, que,embora defendem dissertações extremas e opostas, coincidem nalguns aspetos concretos. Assim, os populismos dum e outro signo propugnam a antiglobalização e o isolamento económico. Mas, enquanto as organizações de extrema-direita defendem um capitalismo nacionalista e {desregulador}, as de extrema esquerda preferem fazer frente aos excessos do capitalismo financeiro com medidas intervencionistas e incrementando o sector público e, por {ende}, a despesa pública. Em qualquer caso, nem uns nem outros oferecem teorias que pudéssemos qualificar de originais. Trata-se de antigas doutrinas já superadas e cuja aplicação na prática, ou não nos trazem boas lembranças ou têm fracassado {estrepitosamente}.

Frente a estas rançosas ideias, se abrem passo outras alternativas económicas. Algumas ainda em fase de laboratório e, portanto, sem a aplicação prática que nos pudesse permitir dictaminar/enviar um juízo mais ajustado à realidade. Uma delas é a denominada Economia do Bem Comum, cujo protetor principal é o professor da Universidade de Viena ChristianFelber, e que está provocando muitos reconhecimentos. Esta teoria apresenta a dissertação de que, dentro duma economia de mercado, os pilares do atual ordem/disposição económico -afã de lucro e competência- devem deixar de ser os atrativos que movam aos empreendedores. Com estes novos valores, o êxito monetário se substitui pela contribuição ao bem comum e a cooperação social.

O que se propõe, em suma, é que o bem-estar social, que costuma medir-se por critérios simplesmente economicistas, atenda a valores mais humanos: honestidade, respeito, confiança, cooperação, sustentabilidade, solidariedade, etc. Noutras palavras, um sistema produtivo no qual prime a agricultura biológica, o comércio justo, o cooperativismo, a economia solidária, a democracia económica ou os modelos produtivos de emissão zero. A consecução destes ideais suporia, entre outras coisas, exigir às empresas um modelo de gestão mais participativa e uma produção baseada na defesa do ambiente e em relações trabalhos justas e solidárias. Para isso teria que substituir o critério da {competenciapor} o da cooperação. E, sobretudo, voltar ao sentido originalíssimo do dinheiro, estabelecendo que seja um meio, um instrumento, mais que um fim. Desta forma, os indicadores do êxito duma empresa não se mediriam pelos rendimentos económicos mas pelo objetivo final de consecução do bem comum.

dado o ânimo de lucro que move às empresas, o afã -às vezes desmedido- de riqueza que impera nos humanos e o mundo {materialista} e insolidário em que nos {movemos}, a ninguém se lhe escapa que a proposta de {Felberno} deixa de ser uma mera utopia, uma ideia cheia de boas intenções, se calhar um sono/sonho.

É difícil desterrar do pensamento humano ideias tão enraizadas como as que sustentam que as necessidades só/sozinho se satisfazem com recursos e que os recursos só/sozinho se adquirem com meios económicos. Mesmo assim, a população está tomando consciencializa perante os problemas das alterações climáticas. Mas, infelizmente, enquanto não mudem o pensamento e o sentido ético da pessoa humana, é o ânimo de lucro, não a generosidade nem a ecologia, o que seguirá/continuará movendo o empreendimento e a criação de riqueza.

* Catedrático de Direito Mercantil

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