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El Periódico Extremadura | Domingo, 19 de agosto de 2018

Alma

CARLOS Ortiz
11/06/2018

 

A estas horas ninguém sabe se a máquina de discos do bar Amador, que fechou {anteanoche} em Cáceres, voltará a soar algum dia. Quem sabe onde. Há nas despedidas algo de nostalgia contida porque o final já está claro. Como quando {sabes} que um amigo vai-se a morrer e não podes fazer outra coisa que aceitar o destino entre lágrimas.

Ao bar Amador lhe aconteceu algo parecido em sua última noite com os {parroquianos} que deixaram sem existências de cerveja a Manolo, essa estátua de vidro convertida em empregado de mesa já para a eternidade. Tinha também a outra madrugada uma bocadinho de encanto no adeus: os últimos danças junto à barra/balcão, a canção de Dylan e o pontilhação dos {Dire} {Straits} como grupos sonoros doutras vidas num bar convertido em museu.

PELO MENOS esse seria um bom desejo para quem tome, oxalá, as rédeas de um lugar mágico onde penduram cartazes de The {Doors} e o cuba-livre se servia em copo de tubo. Tinha algo de resignação nas olhares de aqueles que estivemos ali a outra noite, como se ninguém quisesse negar que o {reguetón} se levou também pela frente/por diante à sala Mercantil de Badajoz, após 21 anos de vida e 3.000 concertos.

Não há nostalgia agora. Simplesmente se escapa o alma dos sítios genuínos, que voa agora até um lugar desconhecido, querendo'ns mostrar que também leva-se uma parte de nós, dos lugares onde fomos felizes e aos que não devemos voltar. Ontem {amanecí} com a sensação de que algo sim ficou guardado no Amador a noite final. Talvez a certeza de que será impossível recuperar o que já se guarda nesse lugar para sempre e que não é outra coisa que um monte de lembranças.

* Jornalista

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