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El Periódico Extremadura | Quarta-Feira, 1 de abril de 2020

Nos alcançou a todos

Clara Castro
14/03/2020

 

O coronavirus se expande por territórios acomodados pondo de manifesto um fenómeno extraordinário: as criaturas que ali vivem, habituadas à placidez imutável de um conforto {ilusorio}, agora encontram-se imersas num estádio de medo sobrenatural. Conduzem carroças repletas de garrafões de óleo/azeite e papel higiénico, e se empurram uns a outros pelo último frasco de {gel} antiséptico. Os profissionais da saúde se afanam em oferecer informação tranquilizadora: «Temos de seguir/continuar fontes fiáveis», nos dizem, mas o medo é ofuscante e se propaga indiscriminadamente. Adictos ao controlo, agora {pretendemos} estendê-lo até ao quadro da biologia, mas a {desconocemos} profundamente. ¿Não é, se calhar, o temor que {exhibimos} estes dias comparável à incerteza dos que faz décadas que, confundidos, fogem de injustiças? Infelizmente, o medo nutre a competição, o «eu sou mais pronto/inteligente/esperto que a fome», e não a reflexão. {Sigamos} alimentando nosso medo, que as empresas sanitárias farão seu Agosto: já crescem como cogumelos as provas de deteção pela módica quantidade/quantia de 300 euros. ¡Que indecência! O «não nos {merecemos} nada disto» que ecoa na fila do supermercado é uma mera ilusão/motivação. Dependentes como somos de soluções imediatas e de rotinas estruturadas, agora {temblamos} de pés a cabeça. Quando a incerteza chama à porta, cresce o alerta desproporcionada e os discursos de ciência-ficção, e assim se exibe, sem pudor, a doença do século: a intolerância à incerteza e a intransigência com a frustração. A histeria que se deriva já se estende mais depressa que o vírus mesmo.

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