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Agora vem o difícil

As medidas {excepcionalísimas}, como som as derivadas do estado de alarma, nascem para morrer

 

ALBERTO Hernández Lopo
15/05/2020

No fundo, sabemos que a simplificação vende. E muito. Por isso, grande parte desta luta contra o coronavirus se nos explicou desde/a partir de a impactante (e muito imprecisa) pergunta de «¿a saco/sacola/bolsa ou a vida?». Ajuda muito no nosso país que, supostamente, personagens como Trump ou Boris Johnson pareçam ter respondido à questão antepondo a economia, frente a um governo que se tem centrado na saúde. Para além de as palavras (ou intenções), isso não se tem provado completamente certo.

Se produziu um contínuo sublinhado da diferença no foque da crise sanitária, mas na verdade o que se faz assim é evitar responder à pergunta. Dizia nesta semana o jornalista norte-americano Sebastian Junger que a política de hoy se baseia na divisão, numa contraposição incessante. Se se detêm a olhar {desprejuiciadamente} (sem rumo ideológico, porque há para todos), se dá uma tentação nos líderes políticos de manejar o {covid}-19 à procura de uma consolidação de seu poder/conseguir.

O desafio é responder que não há outra resposta que não tenha em conta ambas. Porque em essência terminam sendo o mesmo. Estava claro que o vírus primeiro punha em risco a vida, e perante isso somente cabem respostas ágeis e contundentes. Poucos países tiveram a visão, valentia e, sobretudo, a capacidade para dar uma resposta que evitasse um maior/velho impacto do vírus. Para uma maioria, o confinamento surgiu como solução taxativa que serviu de dique de contenção na expansão dos efeitos do vírus. Certamente, útil e conveniente. Mas a paralisação das nossas vidas não pode estender-se sem uma planificação adequada da saída. Parece que esqueçamos que quando falamos de vidas, das nossas vidas, também o fazemos da economia. A situação atual põe em risco os dois aspetos.

As medidas {excepcionalísimas}, como som as derivadas do estado de alarma, nascem para morrer. Som uma solução em forma de {reaccionante} um problema: nem som finalidade em si mesma nem podem ser permanentes. A reativação económica já é uma prioridade precisamente por nossa saúde: sem vacina, somente {obtendremos} uma capacidade de sobrepor-nos ao vírus desde/a partir de a imunidade de grupo. E não podemos permitir que o golpe à economia seja mais catastrófico do que já é, ou poremos a milhares de pessoas numa posição verdadeiramente limite.

O confinamento tem, no fim, algo de comodidade em grupo. Temos suspendido a normalidade pensando, claro, em que todos poderemos fazê-lo e que, com dificuldades, {encontraremos} tudo mais ou menos em seu sítio. O que não deixar de ser um autoengano. Ou pior, uma falácia. O governo {acierta} ao iniciar/dar início a {desescalada}. {Acierta} ao exigir prudência e responsabilidade individual. No entanto, parece responder à alerta consciente que implica a própria conjuntura mais que à existência de um plano. Que não se espera porque não existe. E não podemos abotoar-nos ao tentativa e erro.

Uma parte preocupante é a falta de protocolos nesta fase, que respondam a medidas cientistas. O temos comprovado com o turismo. Se impunha uma quarentena obrigatória (sem data de finalidade) enquanto Bruxelas falado de restabelecer a liberdade de movimentos. E o que já é de {traca}: enquanto o próprio governo negociava com Alemanha, França e Itália uma reativação turística. A mesma improvisação que no transporte, onde ninguém parece ter normas claras. Exigir distância social em aviões como recomendação, mas não como norma (algo sem sentido, por certo).

Se têm prolongado os {ertes}, mas se mantêm obrigações fiscais. Se ajuda a determinados sectores, mas outros não cabem no rádio de ação. Tudo parece fruto da improvisação típica do qual vai apagando fogos. Nada a ver com uma estratégia clara.

Com tudo, a pior parte é o medo. Nunca existirá uma reiniciação económica se o cidadão tem medo ao vírus ou a seu futuro a curto e meio prazo. Uma incerteza, social e económica, que temos já que se propaga desde/a partir de os próprios púlpitos governamentais. Que em ocasiões assinalam a {desescalada}, desenhada por eles mesmos, mais como uma {indeseada} imposição popular que o que realmente é (ou devesse): um plano.

É duro dizê-lo com o que levamos em cima, mas sim, agora vem o difícil.

*Advogado. Especialista em finanças.