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El Periódico Extremadura | Quinta-Feira, 20 de septembro de 2018

Abraçados ao salva-vidas

A moção foi um salva-vidas providencial para Igrejas e Podemos

JOSÉ L. Aroca
03/06/2018

 

A política é apaixonante, sobretudo quando depois de/após um período de {atonía} e mediocridade, {desalentado} por teus próprios concidadãos votantes, surge a {chiripa} e brilha a esperança. A corrupção se levou pela frente/por diante ao PP, tal como em seu dia escândalos desse tipo condenaram ao PSOE de Felipe González a sentar-se numa cadeira de {faquir} para assistir à entrada do {aznarismo} e implante do liberalismo de barras e estrelas {adobado} nas fim com alguma pretensão bélica como a guerra do Iraque.

Uma sentença como a {Gürtel}, num país decente, não leva mais que à demissão do presidente do Governo que por sua vez lidera um jogo/partido sentenciado como promotor duma trama institucional de corrupção com prejuízos para o público e enriquecimento escuro para o privado. Já sei que os espanhóis não somos dados a isto, mas de vez em quando não está mau que nos dêmos a nós mesmos um pequeno luxo de exemplaridade, honradez moral e política, generosidade duma classe dirigente que deveria ser irrepreensível, e modelo que pode desfilar sem vergonha pela passarela democrática internacional.

Mas Rajoy, e boa parte do seu partido, ainda estava nessa fase caduca e obsoleta, apoiada de por muitos espanhóis, de que mais vale o mau conhecido que o bom por conhecer. Há vezes que os povos/povoações, os eleitores, se {enrocan} em si mesmos porque ninguém lhes alumia com um {candil} desde uma esquina, e resignam-se a um {aletargamiento} de mediocridade, {plagado} de soluções em barra/balcão de bar, mas finalmente afogado entre telelixo, futebol, ofertas irresistíveis de financeiras para mudar-se de carro, e a convição, certa, de que temos o que {merecemos}.

Felipe 1982, Aznar 1996 também funcionou como a saída de um beco sem saída e esgotado, não Zapatero 2004 porque aquilo foram três dias de {indignidades} e tragédia com {Acebes} e os assassinos {yijadistas} por meio. Faíscas, salva-vidas de ilusão/motivação e esperança aos que se abraçam de vez em quando os espanhóis, mais ou menos desesperados e confiados.

Tinha que pôr uma moção de censura, e a tinha que apresentar o primeiro jogo/partido da oposição/concurso público. Tinha muitos riscos, e não fizeram mais que começar: {aguardemos} às primeiras procuras nacionalistas. Mais bem as segundas porque as primeiras já vão incluídas no pacote da moção de censura, os 540 milhões que o PNV lhe tirou a Rajoy para aprovar os orçamentos, bem é certo que também vão a melhoria dos pensionistas e o adiamento da temida cláusula ou fator de sustentabilidade das mesmas, que já não será em 2019 para todas as novas reformas.

A moção foi um salva-vidas providencial para Igrejas e Podemos. Se desativa parcial e temporariamente o explosivo do {chalé} de {Galapagar}, e além disso o líder dos {morados} parece ter aprendido a lição do erro da primavera 2016 quando não apoiou o tentativa de regeneração democrática de Sánchez e Ribeiro; este logo mudou certamente de rumo, cegado pelo êxito eleitoral em Catalunha.

Inevitável olhar ao Portugal vizinho/morador. Um governo do centro à esquerda. Porque isso, e mais centrismo ainda que nesse país, pelo deslocação de Ciudadanos à direita, seria o que deveria sustentar ao novo Governo e apoio multicor parlamentar das medidas que se tomem. A duração desta plataforma é incerta, e para o PSOE poderia ser um impulso com que recuperar terreno e crédito; se fala do poder/conseguir da Moncloa, mas para usar qualquer poder/conseguir se necessita a habilidade suficiente.

Na Extremadura a consequência do reviravolta político se centraria na delegação e subdelegação do Governo a efeitos puramente político-eleitorais. Essa delegação levava um par de meses incrementando sua ação informativa, sua tarefa de vender os conquistas e investimentos de Rajoy, e a delegada Cristina Herrera não perdia ocasião para deixar-se ver em atos públicos. Mudará a delegada, mudará a subdelegação em Cáceres, e a ação informativa estará agora inspirada pelos novos inquilinos da Moncloa.

Em Madrid um governo de centro-esquerda, numa Espanha que se calhar seja já mais de direitas.

* Jornalista

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