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El Periódico Extremadura | Segunda-Feira, 22 de outubro de 2018

2018: ¿Caminho do erro?

Nosso país tem demasiadas pme que não poderão suportar um cenário contrário num prazo curto

ALBERTO Hernández Lopo
05/01/2018

 

Durante um tempo, tive certa fixação com a leitura de autobiografias. Lembrança algumas, poucas, que deixaram marca em minha memória. Em todas, é inevitável, se notava o {tamiz}, agora indulgente, agora inflexível, que mantinha nesse momento o autor consigo mesmo. Um diálogo interior de complicada resolução.

Especialmente, naqueles passagens que relatavam a parte menos {auscultada} de suas vidas, aquela que teria sobrevivido afastada da luz pública. É um género agradecido de ler, mas entendo que tremendamente complicado de escrever. Se calhar, porque como assegura {Polanski}, no relato de teu existência tens que ser exato para não fazer ficção. E isso exige um exercício que obriga a rebuscar e indagar, cujo resultado pode não ser agradável.

Sendo exatos, 2017 foi um ano em que as previsões económicas, que já eram promissoras, se têm visto excedidas. O crescimento em cifras vai-se a situar no ambiente de 3% do PIB (mesmo, superior) quando as estimações mais otimistas há um ano falavam de um máximo do 2,5 %. Isto tem suposto a criação neta de mais de 600 mil empregos, agora que tinhamos assumido um cenário de baixa criação de emprego e que os tempos do meio milhão anual já eram questão doutra época.

É fácil concluir que a economia espanhola tem pegado velocidade de cruzeiro e que 2018 será uma repetição do ano que {acabamos} de fechar. É mais, se fizéssemos uma sondagem pública sobre/em relação a o maior risco económico {obtendríamos} como resultado -{conjeturo}- o risco político. Sem deixar de ser certo, certamente mesmo num 2017 no qual uma trovoada política (Catalunha) tem embaciado assuntos de índole similar (liquidação do Popular), a política não tem lastrado o ritmo de crescimento. Por isso, por enquanto, podemos deixar-nos a política a um lado (com um pouco/bocado dissimulado suspiro de alivio).

Analisando as chaves macroeconómicas, os dados para aventurar uma inércia positiva em 2018 persistem. Ao Partido Popular lhe tem tocado de novo o difícil processo de {embridar} o défice público, e neste ano já {cumpliremos} com os critérios solicitados por Europa, com um défice de aproximadamente o 3% do conjunto/clube das administrações públicas. Um milagre, observando donde {veníamos} faz somente um lustro. O sector exterior (exportações) segue/continua atirando, com o que completa o círculo virtuoso da nossa economia: crescimento, controlo da despesa público e superavit comercial.

Caberia nessa altura responder à pergunta de se esta fortaleza vai a continuar e quais são os fatores que sustentam um crescimento sustentado. Mas, algo que devesse ser surpresa geral, ninguém se o está apresentando. Parecemos ter-nos instalado no convencimento de um novo ciclo {alcista}, e que precisamente vivemos são os primeiros {compases}. Comprovem o rápido que se transferiu ao consumidor o ciclo de investimento no sector imobiliário. Já se começa a falar mesmo de falta de chão (um grande êxito na «radiofórmula” de 2006).

O pessimismo não vende, e também não há demasiados motivos para sair correndo (por certo, título de um relatório/informe de {Lombard} {Odier} sobre/em relação a a evolução económica). Além disso, quero considerar-me um otimista, embora seja desconfiado. E essa atitude é a que obriga a rebuscar e indagar, embora o que {encuentres} não seja o que {deseabas}.

De novo, obviando o risco político, Espanha tem dois problemas que mesmo este ciclo positivo não melhorou: uma enorme dívida pública e um alto índice de desemprego. Ambos são problemas estruturais que exigem mais de um miniciclo de 2-3 anos.

Espanha tem uma alta dependência exterior, e até agora foi um salva-vidas. Mas grande parte do crescimento se baseia, também, em certa «desvalorização» social que pode converter-se num enorme problema num abrupta mudança de condições, como uma subida de tipos ou um {shock} nos mercados de dívida soberana (ambos cenários, mais que possível). Continuamos sendo um país com demasiadas pequenas e médias empresas que não poderão suportar um cenário contrário num prazo curto.

Esse erro deve corrigir-se, mas não vejo por nenhum lado sinais duma medição do risco correta. Mais bem o contrário: a {asunción} de que os bons tempos voltaram. A pergunta é se para ficar.

*Advogado. Especialista em finanças.

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