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El Periódico Extremadura | Segunda-Feira, 17 de fevereiro de 2020

…E delibera'ns do jogo, amém

Não acredito/acho que a hobby/adeptos desmesurado ao jogo seja nenhuma patologia fatal

VÍCTOR Bermúdez
06/11/2019

 

Se acontecem estes dias manifestações em procura de leis mais restritivas sobre/em relação a o jogo, especialmente o que se dá nos salas de apostas desportivas (se vê que o bingo, as totobola ou as administrações de lotaria não contam nisto). Uma {inquina} que vai para além de a –lógica– preocupação pela proteção dos menores (que por lei têm proibido o acesso a estes locais). ¿Porque é que esta {inquina}? As razões que se aduzem são que ali as pessoas se motiva {desmesuradamente} ao jogo, que isto é algo muito nocivo e que, como tal, exige a firme/assine intervenção protetora do Estado. ¿São estas razões razoáveis? Vejamos.

Em primeiro lugar, quando se afirma que o jogo é nocivo se podem dizer dois coisas: que é nocivo para a sociedade em geral ou que o é só/sozinho para a pessoa que joga (e seu ambiente imediato). Vamos ao primeiro. ¿É a excesso no jogo especialmente prejudicial para a sociedade? Por de imediato jogadores e salas de jogo pagam abundantes impostos (suficientes em todo o caso para compensar supostos prejuízos). De outro lado, ¿não há «dependencias» –à especulação financeira, ao consumo, ao uso indiscriminado do carro…– mais custosas e prejudiciais para todos que o jogo –e acerca das quais ninguém se manifesta–?

Em segundo lugar: ¿é o jogo mau para quem joga? Antes de nada {aclaremos} se com «mau» se quer dizer aqui «estar mau» (ou doente) ou «ser mau» (ou vicioso). O matiz é importante. Pois se o de jogar muito é coisa de «estar mau» (uma {ludopatía}) não há mais que ser pacientes e deixar-se tratar pelos peritos. Mas se é coisa de «ser mau» (em plano vício) nessa altura temos um problema moral do qual –com toda a ajuda que se queira– será o próprio jogador quem tenha que fazer-se cargo (a não ser que passe da «dependencia» ao jogo à «dependencia»– não sei se menos nociva– aos terapeutas).

EU, PELO MENOS, não acredito/acho que a hobby/adeptos desmesurado ao jogo seja nenhuma patologia fatal. Se as pessoas pode deixar de comer e até de viver a vontade (pensem numa greve de fome ou um suicídio) não vejo porque é que não podem reprimir seu desejo de jogar (um desejo se supõe que mais leve que o de alimentar-se ou existir). O problema é querer. Mas a vontade não a {insufla} nenhum psicólogo, nem se ativa com nenhuma pilula –que lhe vamos a fazer– ; é mais bem assunto de convição moral.

Ora bem: ¿porque é que vai a querer um deixar de fazer algo tão saboroso –pelo menos para o jogador– como jogar e apostar sem trégua? ¿Porque há coisas melhores que fazer na vida –trabalhamos/trabalhámos, estar com a família, fazer desporto...– ? {Sospecho} que a ele, pelo menos, não se o parece. ¿Porque tudo em excesso é mau –como diz as pessoas–? ¡Que vai! Das coisas boas –o amor, a saúde, o dinheiro, o prazer– mais vale sempre que sobre/em relação a –diz as mesmas pessoas–. ¿Nessa altura? ¿Será por não contrariar os interesses e necessidades dos mais parentes? Talvez. Mas aqui teria que pensar até que ponto deve um fazer o melhor para sim e não para os demais. E se uma pessoa acredita que não há nada melhor que a paixão pelo jogo, ¿a que dissimular? Ao fim, a vida é também jogo auto-destrutivo, paixão inútil –dizem alguns filósofos–, simples fruto do {azar} –dizem os científicos/cientistas–, uma oportunidade para enriquecer-te –dizem os {coaches}– , ou um diário/jornal e emotivo «carpe diem»– dizem os anúncios da televisão–...

{Supongamos}, não obstante, que jogar fora, como {clama} o {neo}-puritanismo {reinante}, um horrendo vício. ¿Teria nessa altura o Estado que vir a salvar-nos dele? Segundo muitas pessoas sim. Para elas o Estado tornou-se no Administrador supremo, não já dos impostos ou o trânsito, mas da vida da pessoas, à que tem de proteger mesmo de seus próprios vícios (não só/sozinho do jogo, {fíjense} quantas outras alegadas dependencias –o telemóvel, os vídeo jogos, o sexo…– requerem hoje desses ajudantes técnicos em moral que são os terapeutas). ¡Bendito Estado! –pensam estes cidadãos– ¡Oxalá nos tutele com maior energia ainda! –se manifestam–. Não vá a ser que, deficientes morais como somos, {caigamos} em tentações como a de... ¿Jogar a pensar sobretudo isto, sem ir mais longe?

*Professor de Filosofia.

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