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El Periódico Extremadura | Sexta-Feira, 17 de janeiro de 2020

A Virgem de Guadalupe e o Real Mosteiro, referentes determinantes da Extremadura

Francisco Gómez Bueso
08/09/2019

 

Quando se fala de Guadalupe imediatamente vem a nossa mente Extremadura, e é porque formam uma certa identidade difícil, por não dizer impossível, de separar. Por isso o 8 de setembro, festividade da Virgem de Guadalupe, foi o motivo determinante para escolher essa data, como a mais apropriada para a celebração do Dia da Extremadura, “por seu enraizamento popular e pela dimensão histórica e cultural que representa”.

Esta identificação adquire maior transcendência em atos de grande relevância, como ficou patente na solene cerimónia de instauração da província eclesiástica de Mérida-Badajoz no Teatro Romano, cuja cerimónia esteve presidida pela imagem de Nossa Senhora a Santíssima Virgem de Guadalupe.

Nesta data tão memorável, acredito/acho que é de justiça {recordar} aos extremenhos, que residem fora de nossa Comunidade e de modo especial a todos os Lares e Casas da Extremadura, que vivem neste dia de modo especial e rendem homenagem à Virgem de Guadalupe, que preside seus centros e é símbolo de identidade do nosso povo/vila.

Dito o qual, não deixa de ser paradoxal que a Patrona duma região, hoje Comunidade Autónoma da Extremadura, siga/continue pertencendo à arxidiocese de Toledo, no território civil da Comunidade Autónoma de Castela a Mancha e não na Província Eclesiástica da Extremadura, o que constitui uma {sinrazón} e vulnera o desejo justo dos extremenhos, tanto/golo desde o ponto de vista religioso, como num plano social, sentimental e espiritual.

Todas as instituições, civis, religiosas e eclesiásticas demandam que desapareça este anacronismo histórico, reminiscência medieval e relíquia do poder/conseguir {feudal} do passado.

Com a criação, em 1994, da Província Eclesiástica de Mérida-Badajoz e elevada ao categoria de Igreja Metropolitana, parecia que tudo ia a mudar. Seu primeiro arcebispo monsenhor Antonio Montero, manifestou em reiteradas ocasiões sua deceção, por ter-se jubilado sem conseguir a integração do Mosteiro de Guadalupe, centro de espiritualidade dos extremenhos, no âmbito da jurisdição eclesiástica que razoavelmente lhe é própria, e que os bispos das diocese extremenhas, tanto/golo atuais como anteriores vêm reclamando.

Significativas foram também, por citar só/sozinho estes dois exemplos, as palavras de Amadeo Rodríguez na homilia de despedida como Bispo da diocese de Plasencia, na qual expressou-se nos seguintes termos: “{Invoco} de um modo especial a proteção da Santíssima Virgem de Guadalupe, Patrona dos filhos desta bendita terra extremenha; esses que legitimamente desejam seu casa-santuário na Província Eclesiástica de Mérida-Badajoz, o espaço comum da fé que o Papa Juan Pablo II nos concedeu para que fôssemos a Igreja do Senhor que caminha na Comunidade Autónoma da Extremadura”.

Parece que nada disto lhe importa ao arcebispado de Toledo, que segue/continua mergulhado em seu silêncio displicente e se nega a tratar deste problema, o que está criando mal-estar na hierarquia eclesiástica, desconcerto entre os fiéis e danifica a imagem da Igreja, da que {formamos} parte os cristãos extremenhos. Por isso, temos direito a pedir o que {consideramos} justo e razoável, isto é, que a Patrona da Extremadura pertença à jurisdição eclesiástica da que é referente, o que é conforme com a doutrina oficial da Igreja e a unidade pastoral que recomenda.

Chegou a hora na qual o arcebispado de Toledo reconheça, entre outras coisas, que o sentimento dos extremenhos vai sempre acompanhado de sua dedicação e entrega a tudo aquilo que contribui à exaltação de sua Patrona e Santuário. Prova de isso foi o projeto Guadalupe 2007, Ano Reformar, por ocasião do centenário da proclamação da Virgem de Guadalupe como Patrona da Extremadura. Para além dos atos religiosos, não temos de esquecer o grande impacto mediático e a repercussão social que teve a exposição Caminhos de Guadalupe. Guadalupe em Madrid, na qual mostraram-se na capital de Espanha obras de arte únicas de pintura, escultura, ourivesaria, bordado e códices {miniados}. Dita exposição foi visitada por mais de meio milhão de pessoas.

Convem também {recordar} os investimentos realizadas pela Junta de Extremadura no Mosteiro de Guadalupe. Desde 1997 a 2017 o investido pela Junta tanto/golo na conservação e restauração de bens culturais, como nos serviços de património e obras ascende a 2.388.232,83 euros.

Durante muitos anos temos suplicado ao arcebispado de Toledo generosidade para resolver este problema e sua única resposta foi de novo o silêncio. Deixar passar o tempo, e que sejam outros os que tenham que resolver este {litigio}, não é a solução, e o que se consegue com esta forma de atuar é agravar o problema, fomentar o mal-estar e deixar no ambiente um exemplo pouco/bocado edificante. Pelo que pedimos, uma vez mais, ao arcebispado de Toledo que deixe de pôr obstáculos e atenda as justas procuras dos extremenhos e de seus bispos, já que não conhecemos nenhum caso no qual a Patrona duma região, hoje Comunidade Autónoma, pertença a uma circunscrição eclesiástica alheia a seu território.

Não vamos a permitir que esta situação se perpetue, e a partir de agora, tomaremos as medidas que sejam necessárias para terminar o quanto antes com esta grave injustiça, que vulnera os direitos legítimos dos extremenhos.

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