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El Periódico Extremadura | Domingo, 19 de janeiro de 2020

Extremadura, uma terra sustentável, igualitária e acolhedora

Blanca García
08/09/2019

 

Humildade, trabalho, simplicidade, esforço, honestidade, solidariedade. Se tivesse que definir Extremadura em apenas umas palavras, seriam provavelmente estas as que configurariam a idiossincrasia desta terra e de suas gentes. Valores que nos permitiram avançar e progredir apesar de contar com um ponto de partida diferente ao doutras regiões, 40 anos de atraso que pesaram como uma {losa} e que lastraram parte do nosso passado. Mas temos sabido como povo/vila superar e sortear juntos os obstáculos que a história nos tem posto no caminho e nestes mais de 35 anos de autonomia temos conseguido alcançar um nível de desenvolvimento similar ao doutras comunidades autónomas.

A imensa tarefa levada a cabo por tantas mulheres e homens desta terra fez possível que Extremadura conte hoje com uma posição privilegiada para enfrentar o presente e o futuro com otimismo. Estamos perante um cenário nacional e internacional totalmente diferente ao de faz uns anos, um panorama repleto de oportunidades se somos capazes de ver o horizonte que se abre após a {asunción} por parte de todas as nações do mundo da Agenda 2030 e os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, os conhecidos como {ODS}.

O modelo de crescimento baseado só/sozinho em termos económicos e medido com indicadores como o Produto Interno Bruto está sentenciado. As sociedades ocidentais temos vivido de costas ao planeta, utilizando recursos {finitos} como se fossem inesgotáveis. Se queremos preservar o planeta tal como o encontrámos para deixar um mundo {vivible} às futuras gerações é necessário mudar as óculos com as que {miramos}. Extremadura já o fez e está apostando em um modelo de crescimento baseado na economia verde e circular.

Do tratar-se é de aproveitar as potencialidades, conhecimentos e experiências que como região temos para construir um ambiente que permita aos extremenhos ficar aqui e não emigrar a outros lugares por falta de oportunidades. Os movimentos vinculados ao ‘{slow} {food}’ não são mais que a volta aos tradicionais modos de consumo e de produção que se têm conservado em muitos pontos da nossa região. Os extremenhos temos vivido sempre batidos à terra, lavrando-la com esmero para colher seus frutos. Foi o campo o motor de desenvolvimento e de fixação de população e deve continuar a ser um sector potente que, sem renunciar às novas tecnologias mas conservando sua essência, contribua a gerar riqueza. Os novos tempos são favoráveis ao consumo de produtos ecológicos e a compra dos mesmos nos mercados locais. Nada de isso é novo para nós, para os extremenhos, acostumados como estamos a comprar no comércio de ao lado de casa os produtos da horta do vizinho/morador de enfrente.

Temos a matéria-prima e mãos experimentadas para trabalhá-la. Mãos de homens, mas também de muitas mulheres que ao longo/comprido dos anos e de maneira calada têm cultivado a terra e cuidado a meninos e maiores/ancianidade para que os homens {salieran} fora de casa a ganhar-se o pão. Seu trabalho, muitas vezes silenciado, tem contribuído a construir esta região. É tempo agora de reconhecer sua imensa lavor/trabalho e valorizar a importância do trabalho dos cuidados, esse ao que tanto/golo se têm dedicado as extremenhas, esse que todos e todas necessitamos se temos presente que somos seres dependentes ao longo/comprido da nossa vida, dependentes e interdependentes com a natureza. Do tratar-se, ao fim e ao cabo, é de alcançar uma igualdade real entre homens e mulheres, mas também entre aqueles que trabalham na parte visível da economia {monetizada} e aqueles que o fazem nessa parte que a história se tem empenhado em ocultar mas tão necessária para garantir o funcionamento da vida, uma lavor/trabalho que de forma maioritária temos desempenhado as mulheres.

Este é também um repto/objetivo que como sociedade temos, sobretudo numa terra como a nossa com uma população cada vez mais envelhecida que necessita dos cuidados do resto. Uma objetivo/meta que, estou convencida, não {tardaremos} em alcançar porque somos uma região de pessoas solidárias, tolerável e aberta. A história nos tem forjado assim. Foram muitos os que viram-se obrigados a emigrar. Muitos são os que agora recordam os tempos de dura vindima em França, de difíceis condições e inclusivamente o receio com o que se lhes olhava nessa altura. Esse passado nos converteu numa terra de acolhimento, como assim o demonstra a forma na qual a comunidade tem reagido diante da necessidade de atender a aqueles que fogem de conflitos, fomes ou miséria noutras partes do mundo. Ciudadanos de outros países destinados a deixar sua terra, como o fizemos os extremenhos, e para os que devemos exigir a implementação de políticas migratórias planificadas e bem geridas que evitem que o Mediterrâneo se converta na grande vala comum de ocidente. São, como diz {Bauman}, esses “estranhos que chamam a nossas portas” os que cuidam em muitos casos dos nossos meninos, dos nossos maiores/ancianidade e aos que {recurrimos} para paliar a falta de mão de obra dos nossos campos.

Extremadura pode e deve somar-se a estes desafios que este novo mundo apresenta e que recolhe/expressa a Agenda 2030 vinculados com a sustentabilidade, a igualdade e a redução das desigualdades. Pusemos os alicerces faz já uns anos para favorecer agora um desenvolvimento sustentável para nossa terra, uma região na qual {cabemos} todos e todas. Uma Extremadura sustentável, igualitária e acolhedora, uma região que progride mas sem {menoscabar} o desenvolvimento de outros povos/povoações. Desde aqui, desde o local, o regional, é necessário atuar em aras a preservar nosso planeta e criar as condições idóneas para que todos e todas tenhamos as mesmas oportunidades e direitos, para que todos e todas vivamos num mundo mais justo. E é chave fazê-lo desde a cooperação e o diálogo, procurando consensos. Assim o estamos fazendo desde a Asamblea de Extremadura ouvindo todas as vozes, as dos de aqui mas também as dos nossos sócios e sócias europeias através de nossa participação na Conferência de Assembleias Regionais Europeias. Se os reptos/objetivos são comuns, as respostas devem ser conjuntas e partilhadas.

Aos extremenhos ninguém nos tem oferecido nada, tudo o conseguido até agora é fruto do esforço de tantos e tantos homens e mulheres ao longo/comprido da história, mas não nos {conformamos}. Devemos aproveitar nosso dia para festejar o conseguido, mas também para exigir o que nos pertence com o acordo/compromisso claro de seguir/continuar trabalhando para construir juntos uma terra de oportunidades e um mundo mais justo.

¡Feliz Dia da Extremadura!

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