+
Accede a tu cuenta

 

O accede con tus datos de Usuario El Periódico Extremadura:

Recordarme

Puedes recuperar tu contraseña o registrarte

 
 
 

“Extremadura é minha pátria e meu ‘{matria}’. Meu coração está cheio desta terra”

 

2017. {Ada} Salas cheia a transbordar o auditório para a apresentação de seu livro ‘Dez Mandamentos’. - EL PERIÓDICO

2017. {Ada} Salas cheia a transbordar o auditório para a apresentação de seu livro ‘Dez Mandamentos’. - FRANCIS VILLEGAS

Juanjo Ventura AA MONOGRÁFICOS
08/09/2019

{ada} Salas (Cáceres, 1965) é uma das poetas mais importantes do país e o reconhecimento que ontem recebeu em Mérida coroa uma corrida/curso literária de fundo calado e profunda reflexão. Esta licenciada em Filologia {Hispánica} pela Universidad de Extremadura obteve o Prémio Juan Manuel Rozas com o seu primeiro livro, Arte e memória do inocente em 1988. A prestigiosa editorial {Hiperión} lhe concedia o prémio homónimo em 1994 com Férias em branco. A sede e Lugar da derrota são trabalhos publicados em 1997 e 2003, respetivamente. Seu livro Isto não é o silêncio (2008) foi reconhecido com o XV Prémio Ricardo Molina-Ciudad de Córdoba.

Em 2009 apareceu a compilação de sua obra poética Não dorme o animal. Também tem escrito/documento ensaios como Alguém aqui (2005) e A margem. O erro. A risco (da metáfora e outros assuntos mais ou menos poéticos) (2010). Seu último livro {Descendimiento} é uma homenagem à pintura de Vão {der} {Weyden}. Na atualidade, embora ela não queira reconhecê-lo, é tudo um clássico da poesia nacional.

-“Poesia necessária como o pão de cada dia”, dizia Gabriel Celaya. ¿Porque é que não costuma ter poesia em nosso dia-a-dia?

-Acredito/acho que em geral nos {solemos} esquecer das coisas mais importantes. Estamos metidos numa vida bastante absurda onde impera o ruído. Parar-se a pensar e a sentir, a ler, exige repouso, silêncio, certa dedicação, afastar-se, solidão… e nenhuma dessas coisas está na moda. Acredito/acho que em geral nos {equivocamos} –e eu me {incluyo} também- e não nos podemos deixar levar por esta corrente que nos arrasta e nos afasta de nós mesmos. A poesia é uma das coisas que mais nos ajuda a estar em nós, a ser indivíduos, que é o que mais falta nos faz.

-Além disso, acrescentou que é “um arma carregada de futuro”. ¿Corrobora esta afirmação?

-Sim, a poesia está carregada de passado, é um arma eficaz para usá-la na presente e naturalmente para o futuro, porque {apuntala} e cultiva o melhor do ser humano. Em tanto/golo enquanto sejamos melhores assim o será o futuro.

-¿Como prefere que a chamem ‘poeta’ ou ‘poetisa’? Muitas escritoras rejeitaram este último termo por considerar que com ele se {minusvaloraba} a produção…

-A mim me dá igual. Me é indiferente.

-É você vencedora, entre outros, dos galardões Juan Manuel Rozas, {Hiperión} ou Ricardo Molina-Ciudad de Córdoba. ¿Que importância têm estes reconhecimentos na trajetória de um escritor?

-Os prémios, particularmente em poesia, foram muito importantes, pois me permitiram publicitar meu trabalho. E para um escritor ter a possibilidade de ter leitores é fundamental e o que dá sentido ao que um faz. Esses prémios me chegaram em momentos delicados e importantes, e dalguma maneira , te indicam que não {estás} tão despistada e que não te {equivocas} tanto/golo.

-A Medalha da Extremadura é, no entanto, um galardão que não é literário. ¿Que espaço vai a ocupar em seu coração?

- {Uf}, em meu coração o vai ser tudo. Na verdade não penso nunca que me corresponda nenhum e este menos ainda. Meu coração está cheio desta terra. Extremadura é minha pátria e meu ‘{matria}’. Meus pais são de aqui e passei na região toda minha infância e juventude. {Conservo} muitos amigos e é meu lugar. Tenho uma casinha nas Villuercas, em Cabañas del Castillo, que é um lugar privilegiado e um resumem de sua paisagem e seu {paisanaje}. Sou extremenha e o levo a gala. Este galardão tem vindo caído do céu.

-Arte e memória do inocente, Variações em branco, Isto não é o silêncio e mais recentemente ‘{Descendimiento}’, são alguns de seus trabalhos. ¿Qual foi sua evolução neste tempo como poeta e escritora?

-Acredito/acho que em meus livros houve um avanço que tem surgido de minha persistência e um afinco na tarefa, de não abandonar e da intenção de ir sempre mais além… Embora não sei se esse mais além tem implicado melhoria, isso têm que dizê-lo os que lêem meus poemas. Me tenho descoberto coisas a mim mesma que me surpreenderam e tenho muito por fazer neste campo. Eu estou contenta com a evolução que tenho tido.

-Escolheu um quadro de Vão {der} {Weyden} como ‘{leit} {motiv}’ de ‘{Descendimiento}’. ¿Que relações há entre poesia e pintura?

-Para mim se parecem muito. E os clássicos como {Horacio} Fraco já o diziam. Mesmo muitos consideravam a pintura como poesia muda e a poesia como pintura que fala. São duas janelas abertas a outros mundos, um se expressa com cores e a composição, e outro com palavras, que também implicam dalguma maneira cores e uma determinada forma de distribuir-se. Como escritora e leitora acredito/acho que apartamento o mesmo terreno.

-¿É a morte ou o sofrimento algo que encerra beleza?

-¿Porque é que não? Quando se contempla o quadro de Vão {der} {Weyden} {estás} vendo sofrimento e morte e no entanto é duma beleza indiscutível. Sim, pode ter beleza na morte e inclusivamente desde o ponto de vista moral ter mortes que sejam ‘belas’. {Rilke} dizia que a vida tinha sentido como preparação duma boa morte, que não tem nada a ver com o mais além do catolicismo.