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“A rádio é eterna e duma imediatez informativa que supera a qualquer {tuit}”

 

Companheiros. Junto a Lucio Poves, outro histórico da Cadeia SER. - SANTI GARCÍA

1997. Com Jesús de Polanco, empresário dos meios de comunicação. - SANTI GARCÍA

Juanjo Ventura AA MONOGRÁFICOS
08/09/2019

María Jesús Almeida Lorences (Badajoz, 1953) dedicou a Medalha da Extremadura que ontem recolheu em Mérida à profissão que tem exercido durante toda sua vida: o jornalismo. Pode dizer bem alto que foi pioneira neste âmbito na região e atualmente luta por dignificar esta atividade. É licenciada em Jornalismo pela Universidade {Complutense} de Madrid e toda sua corrida/curso a tem desenvolvido em Rádio Extremadura, na Cadeia Ser, onde foi chefe regional dos serviços informativos. Primeira mulher em trabalhamos/trabalhámos na única emissora de Badajoz, {EAJ} Rádio Extremadura (SER) em 1977. Viveu a transição política e o golpe de Estado de 23 de Fevereiro. Deixou os microfones em 2011, após dar os resultados das eleições legislativas.

Almeida não só/sozinho foi mulher de rádio. Em seus começos escreveu a Folha do Segunda-feira e apresentou debates na televisão local {Localia}. Também foi colunista de O Jornal Extremadura e A Crónica de Badajoz. Desde 2018 preside a Associação da Imprensa de Badajoz, com o 100% dos votos dos associados.

-Tem dedicado a Medalha da Extremadura ao jornalismo por ser uma “profissão sacrifícada e com poucas alegrias” ¿Acredita que a profissão está a viver momentos complicados?

-Sim, vive um tranze difícil por várias razões. A primeira delas é o desemprego. As redações se estão esvaziando, enquanto das faculdades de Ciências da Informação saem novos profissionais. A isto soma-se a baixa remuneração que recebem os profissionais em ativo que começou com a crise económica e que não penso que tenha sempre uma justificação. O fácil em época de crise foi espremer ao trabalhador e isso não é a solução. Uma profissão como a jornalística necessita trabalhadores ao pé do canhão, que investiguem e lhe {echen} muitas horas.

-Além disso, a Medalha recai numa mulher ¿Porque é que esta circunstância lhe cheia de especial alegria?

-Às mulheres, e Extremadura não foi uma exceção, nos tem costado entrar no mundo do jornalismo. Era uma profissão {copada} pelos homens. E por isso me alegra que depois aos poucos as mulheres fôssemos entrando nas redações e agora somos maioria, mas ainda não há muitas nos postos diretivos das empresas jornalísticas. Esta medalha {visibiliza} à mulher, que tem capacidade mais que sobrada para ocupar um posto de responsabilidade no mundo do jornalismo.

-¿Acredita que a mulher esteve escondida e {ninguneada} até há pouco tempo?

-Sim, o acredito/acho. A mulher esteve {ninguneada} porque era um mundo de homens. E os homens confiavam só/sozinho neles. Isso era assim. Mesmo quando nas redações tinha maioria feminina se seguia/continuava negando às mulheres os postos de direção. E isso era porque não se acreditava que a mulher podia desempenhar esse papel. Era um {machismo} social. As leis são as leis, mas tardam muito em que a igualdade molhe na sociedade.

-¿Acredita que a era digital acabará com o jornalismo tal como o conhecemos agora?

-Não o sei. Muitos peritos estão analisando esta situação. O papel acabar-se-á. Isso o tenho claro. O que seria muito triste é que com a morte do papel acabe-se a necessidade de fazer-se um ‘porque é que’ da realidade. Isso significa dar-lhe ao leitor e ao ouvinte as chaves das situações. E isso só/sozinho se consegue com investigação. O jornalismo ‘rápido’ pode valer para cobrir uma emergência, mas o jornalismo tem que ter investigação e sossego para contar bem as coisas. Para isso fazem falta redações mais largas. Há já grupos de investigação em imprensa digital que estão funcionando muito bem. O jornalismo não vai-se a acabar porque é contar as notícias e porque é que se produzem. Sempre terá público interessado em que isso seja assim.

-Nestes momentos qualquer com um telemóvel se converte em {relator} da realidade e inclusivamente pode fazer um {podcast}. ¿Acredita que isso é jornalismo?

-Não, o jornalismo responde às perguntas clássicas: que, como, quando, onde e porque é que. E isso nos o ensinam desde primeiro de corrida/curso, já que aí está a chave duma boa informação. Tudo o resto não é jornalismo.

-¿Para onde caminha a profissão jornalista em geral e os informativos de rádio em particular?

-A profissão caminha até uma mudança de modelo empresarial, de formatos, de plataformas, mas o jornalismo continuará a ser jornalismo. A rádio é eterna. Tem uma grande imediatez, mas não a de um {tuit}, mas é a imediatez informada. Os informativos continuarão a ser fortes e potentes.

-Toda sua vida profissional a tem desenvolvido na Cadeia SER. ¿Acredita que a fidelidade ao meio é uma virtude?

-Em meu caso sim. Fui fiel e leal ao meio. A SER me permitiu desempenhar meu trabalho. Foi um ‘toma e {daca}’ perfeito. Ser fiel é bom, sempre que te respondam. Além disso aprendes uma forma de trabalhamos/trabalhámos e de fazer as coisas. Antes as emissoras com só/sozinho ouvir ao locutor já {sabías} qual era.

-Foi você uma das primeiras licenciadas em jornalismo e a primeira em trabalhamos/trabalhámos numa emissora em Badajoz ¿Se sente pioneira da profissão na Extremadura? ¿Como foram esses primeiros anos?

-Pois {caminé}, a pouco e pouco. O certo é que ao início não acreditava em mim ninguém. Era uma mulher {pequeñita}, com 23 anos e me olhavam com ‘caras estranhas’. Mas quase sem dar-me conta eu saía adiante porque era a profissão escolhida e estava convencida de que tinha que viver dela. Por exemplo: tinha reuniões de balanços anuais de bancos nos que no fim se entregavam puros. Pois a mim me saltavam e eu os pegava para sentir-me integrada.

-¿Como é pôr-se perante um microfone todos os dias?

-É um exercício de responsabilidade e se sente muito a adrenalina nos últimos três quartos de hora antes de sair a antena. {Sabes} que {estás} pendente do último dado e que ao ouvinte não se lhe pode mentir.

-Além disso, recebeu o carinho dos ouvintes. ¿De que forma de tem concretizado?

-Recibo o carinho dos ouvintes dia após dia. Vou pela rua e as pessoas me sorri, e não pelo reconhecimento da medalha, vem de mais atrás. É o mais importante.

-¿Qual foi seu melhor e seu pior momento como jornalista?

-Se calhar o melhor momento é quando {has} terminado de fazer do informativo e já está tudo facto/feito. Momentos maus não lembrança, quando algo não tem saído, ou quando nalguma ocasião –muito poucas- {has} tido que retificar. Isso sinta/senta muito mau.

-Foi também colunista de A Crónica de Badajoz e de O Jornal Extremadura. ¿Que lembranças tem de sua experiência na imprensa de papel?

-Pois muito agradável. Me gostava fazê-lo, embora me dava muito medo. Escrevia de qualquer coisa. Falava das coisas mais próximas.

-¿Reformar-se foi para si uma alegria ou uma deceção?

-Uma alegria, porque o jornalismo queima e já tinham entrado as novas tecnologias e pensava se meu tempo já tinha acabado. Estava cansada.

-Agora é presidenta da Associação da Imprensa de Badajoz. ¿Quais são suas principais linhas de trabalho no coletivo?

-As que marca a Junta Directiva, que quer defender a profissão e os profissionais acima de tudo. Essa é nossa tarefa e obrigação.

-¿Com que sentimento recolhe/expressa a Medalha da Extremadura em Mérida?

-Pois com humildade. Não acredito/acho ter facto/feito nada mais que o que fazem milhares de pessoas na terra. Sinto além disso uma alegria imensa porque para mim este reconhecimento é o maior que recebi.