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El Periódico Extremadura | Segunda-Feira, 19 de agosto de 2019

Minha face não me soa

RAFAEL Angulo
12/08/2019

 

Tenho que perguntar-lhe a Antonio Vélez, seguro que o sabe, quem era aquele {hombrecillo} que {aposentado} na Porta da Villa fazia fotos de maneira artesanal com seu artefacto fotográfico localizado numa {estructurita} de madeira. As {fotitos} eram para o {DNI} (me parece que a esquadra estava Rambla abaixo) ou para os soldados, grupo cidadão importante na Mérida de nessa altura. Mas o fotógrafo tinha o seu arte e por não faltarle detalhe até os dedos adquiriam {pigmentación}.

¡Que tempos aqueles partilhados com a {Kodak} {Instamatic}! Embora de instantânea tinha pouco/bocado, pois revelar os {carretes} tardava dias. Aquela câmara iniciou a muitos na fotografia, fotografia de baixo/sob/debaixo de orçamento ({low} {cost}, toma anglicismo) e menor conhecimento; a {Instamatic} era económica sem ser barata, fácil de levar e te dava o {avío} para começar a enquadrar. {Cito} ao professor fotograma da Porta da Villa e à {Kodak} {Instamatic} porque estes refletiam os rostos em tempo real, a pé de olho, com tons sépia às vezes, mas não deixava de ser um espelho do que estava enfrente.

Agora os telemóveis têm revolucionado a fotografia (também) com uma qualidade espantosa que nos permite aos inábeis (roçando a {inutilidad}) fazer coisas que nos espantam (a nós mesmos). Nem o {hombrecillo} nem a {Kodak} podiam prever a ‘{FaceApp}’, essa aplicabilidade narcisista e curiosa que te permite editar teu imagem atual com outra (virtual) de dentro de 10, 20 ou 30 anos envelhecendo o rosto de maneira artificial.

Gostaria saber onde ficam armazenadas essas egoístas imagens, porque tudo o que está no ar, no ar da internet, vão uns prontos e o guardam vá você a saber para que (para nada bom de antemão) e há um uso e abuso de imagens pessoais que são captadas e traficadas.

Nada há oculto que não comece por saber-se neste mundo digital, a um {clik} está nosso historial (mesmo o secreto) e tudo se pode vender (ou alugar). Por resumir: tudo, absolutamente tudo, o que pomos na rede, nuvem ou mãe que {parió} ao invento pode ser utilizado (mesmo em nossa contra e sem nós sabê-lo).

Parvos úteis (eu, o primeiro), colaboradores necessários, cúmplices por desídia… Total, que somos suscetíveis de ser transmitidos no quarto de banho ou a cama (e o que ali se faz), manipulados, controlados e ameaçados. «¡Vaidade de vaidades!», -diz {Qohelet}--. ¡Vaidade de vaidades, tudo é vaidade!

Mas {volvamos} à foto de dentro de 30 anos, esse reconhecimento de identidade facial a posteriori pelo que nos terão espiados e contratados. E {vuelvo} com uma cita/marcação/encontro evangélica: «Néscio, esta noite vêm a pedir-te teu alma; e o que {has} provido, ¿de quem será?», porque temos de ser um pouco/bocado néscio para pensar que vamos a viver 10, 20 ou 30 anos, envelhecendo tão bonitos, sãos e bem penteados (alguns) com a absurda ideia de que, isso, depende da nossa vontade. E, não há para que dizê-lo, a maioria dessas fotos nunca se cumprirão… Eram, a pedir de olho, mais fiáveis as da Porta da Villa.

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