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El Periódico Extremadura | Domingo, 29 de março de 2020

La cruz que leva Luis

RAFAEL Angulo
22/04/2019

 

Hace dezanove anos seu avô lhe levou da {manita} a São José a ver aquela incipiente irmandade, nessa altura só/sozinho {afanes} e ilusões, que começava a formar-se, como ele, na vida. Com oito anos saiu de penitente no troço dos {hermanitos} pequenos; depois carregou muitas procissões a meu lado com um dos {faroles} (¡se a luz dessa vela falasse!) e quando eu {empecé} a colecionar próteses ele pegou nossa Cruz de Guia, que pesa embora não o pareça, menos mal que não leva-se com o corpo mas com o alma.

Este penitente cresceu com a confraria (e muito) e ali aprendeu a querer a nosso Cristo vivo entre amor, pão e vinho. Ali sentiu o calor de seu olhar. Faltou seu avozinho mas ele sempre seguiu/continuou penitente da Jantar. Por ele e por nós. E, como mandam os cânones com o hábito bem posto: capucho de penitente, túnica, capa, luvas e sandálias, tudo limpo, passado a ferro e confessado, por dentro e por fora (até as sandálias). Quando a Cruz de Guia da Última Ceia transfere a porta da irmandade, {enfilando} a rua {Octavio} {Augusto}, começa a primavera em Mérida, porque em meu povo/vila a primavera sempre começa o Domingo de Ramos às cinco da tarde, caia como caia esse ano e saia o sol por onde saia, que sempre sai.

E com a primavera a Páscoa se vê e se sente. Detrás de essa cruz vai toda uma estação que com serenidade, com alma e com acalma, sai às ruas da {bimilenaria} para proclamar nossa fé, nossa alegria (¡estamos jantando!) e homenagem à herança dos nossos avós; comprometidos em fazer o possível e o impossível para que tudo saia bem, comprometidos em união de confraria, bairro e paróquia, comprometidos com a pele que {habitamos}, a túnica que {vestimos} e o coração com o que {amamos}. Isto não é só/sozinho questão de crenças, isto relaciona com raízes profundas, musicais, artísticas, sociais que dão realce a esta Mérida que nos toca viver.

Com confrades como este portador da Cruz de Guia a Páscoa sempre estará viva, ao compasso de penas e alegrias, de marchas, {revirás} e cansaço, transitando pela tristeza porque {acompañamos} a alguém que vai a morrer por nós. Mas tranquilos, que depois ressuscitará com o {rachear} do alba. Com penitentes como este há troços para a esperança, luz nos {faroles} e autenticidade debaixo de os capuchos de penitente. Há fé, devoção e memória. Este penitente não vive em Mérida. Os seus pais lhe traziam de {Sevilla}. Fazia a estação de penitência e se voltava, calada, discretamente, sem aceitar convites. Neste ano tem vindo de mais longe, pegou o avião, sulcou o Oceano Atlántico, chegou a {Sevilla}, se dirigiu a Mérida. Tomou sua Cruz de Guia. Às sete horas a colocou em sua pedestal. E depois se voltou, a pelo Atlántico de novo. Se chama Luis. Os da Jantar estamos orgulhosos dele. Vocês também deveriam estarlo. Este penitente vale a pena, comove.

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