El Periódico Extremadura | Domingo, 20 de outubro de 2019

O direito de {amamantar}

A jornalista Esther Vivas {distiende} a relação entre feminismo e maternidade com um trabalhado ensaio escrito/documento desde as entranhas H No texto faz uma defesa antisistema da lactação

HELENA LÓPEZ 26/02/2019

O proponente da imagem da capa –uma mãe com o punho em alto, o bebé na teta e os lábios vermelhos– faz com que se lhe perdoe o pouco/bocado realista da cena (¿quem é a forte que pode dar o peito a sua criatura de pé, segurando-la com uma só mão?). Esther Vivas publicou ontem Mamã desobediente; um olhar feminista à maternidade (Capitão {Swing}), um ensaio honesto que se {rebela} contra a obrigação de escolher entre uma «maternidade {patriarcal} sacrifícada» e uma «maternidade neoliberal subordinada ao mercado». A jornalista {destensa} a complexa relação entre feminismo e maternidade num livro no qual faz face a tabus como o {puerperio} ou o luto {gestacional}, combinando infinidade de dados com experiências pessoais narradas com valentia que em ocasiões se convertem em relato geracional.

Cifras e coração

O mesmo conta curiosidades como que para obter um quilo de leite de fórmula (que ela se {rebela} a chamar assim, já que considera esta denominação uma vitória, outra mais, da indústria farmacêutica para evitar chamar-la o que é, leite artificial) se necessitam 4.700 litros de água; que explica com coragem o difícil que lhe resultou ficar grávida de seu primeiro filho. Cinco anos. Aceitar a infertilidade. Tentá-lo com a inseminação artificial. Ver que também não funciona. Recorrer a uma {fecundación} {in} vitrocerâmica. A agressividade do tratamento. Os medos. O gravidez ao fim. Mais medos. O parto. A dureza do {puerperio}. Um testemunho em primeira pessoa que reflete a realidade de muitas mulheres nascidas nos 70.

Com Mamã desobediente Vivas procura «reivindicar a maternidade como responsabilidade coletiva, no quadro de um projeto {emancipador}». «Não se trata de idealizá-la nem de {esencializarla}, mas de reconhecer sua contribuição histórica, social, económica e política. Uma vez as mulheres temos acabado com a maternidade como destino, toca poder/conseguir escolher como queremos viver esta experiência», resume a autora antes de partilhar sua eleição pessoal e de argumentar com contexto e cifras sua decisão. «A maternidade é um terreno em {dispusta}. Se tomamos o princípio feminismo de que o pessoal é político, o repto/objetivo consiste em politizar a maternidade em sentido {emancipador}», defende.

A teta é a leite

Um dos temas com maior peso na obra é a lactação (a autora é especialista em alimentação). De um revisão histórica, geográfico e estatístico a uma reflexão sobre/em relação a se são necessárias as salas de lactação ou a perversão do {sacaleches}. Vivas critica o negócio do mamadeira e faz uma defesa tão apaixonada como documentada da «leite humano».

Tudo isso sem julgar às mulheres que optam pelo mamadeira –este é um ensaio abertamente feminista–, e assinalando sem rodeios aos redes após a indústria. «Trata-se de destapar as razões históricas, económicas e ideológicas pelas que se tem boicotado a lactação materna e se a fez recuar em benefício da artificial e de expor as bondades tanto/golo individuais como coletivas de dar o peito», conclui.