Menú

El Periódico Extremadura | Terça-Feira, 26 de septembro de 2017

Viagem no ‘comboio da dignidade’

O protesto de ‘{Milana} bonita’ soma-se ao clamor cidadão e ao acordo/compromisso das câmaras municipais. Mais de 50 extremenhos desfilam em Madrid como ‘Os santos inocentes’ para pedir melhores conexões

GEMA GUERRA
09/09/2017

 

El comboio {ralentiza} a marcha e se detém na paragem/desempregada/parada. Uns passageiros descem e se despedem da viagem de horas. Outros tantos compensam a perda e sobem ao carruagem para empreender a marcha. Após os créditos, a estação de Zafra protagoniza a primeira sequência de ‘Os santos inocentes’, a fita de {Camus} sobre/em relação a a Extremadura {latifundista} dos anos 60. Uns gritos de {Azarías} em ecrã a negro e seguidamente o rugido do comboio.

A fita -com ou sem pretensão- faz parte do imaginário duma região de final de pós-guerra com afã de continuar mas paralisada pelos cânones impostos pelas camadas sociais. Este outro filme também parte duma estação, mas cinquenta anos depois. A paragem/desempregada/parada de comboios de Cáceres abre a primeira sequência para a fita que interpretaram ontem os integrantes da plataforma ‘{Milana} bonita’. El coletivo, que nasceu faz uns meses para reivindicar umas conexões de comboio dignas na região, celebrou um Dia da Extremadura muito particular. Semanas antes tinha situado aos extremenhos a tomar a atitude e a indumentária de {Régula}, Paco e {Azarías}, e desfilar pelos corredores da estação de {Atocha} (Madrid) para reclamar linhas férreas de qualidade. A particularidade da iniciativa é que assumia realizar o percurso/percorrido até Madrid nas mesmas infraestruturas que reivindicam. A estampa ‘{berlanguiana}’ estava servida. Embora o grosso de manifestantes subiu ao ‘comboio da dignidade’ em Plasencia, cidade de origem do coletivo, Cáceres recolheu aos primeiros passageiros. Uma dezena de viajantes com aspeto pintoresco ocupou os carruagens sob o olhar atento de curiosos que se perguntavam a finalidade do {teatrillo} da vestimenta. Álvaro Jaén e {Jara} Romero, deputados de Podemos, acompanharam à comitiva a título pessoal. El primeiro que foi à chamada da associação é Fernando. Enquanto soube da sua existência, o {celador} desde Villanueva de la Serena procurou vestimenta e cachimbo em mão se plantou na paragem/desempregada/parada. Alardeava ontem de ter encontrado uma {boina}, uma pegue quase inalcançável por desuso. Percorreu Zorita para fazer-se com tão prezado {ajuar} e incorporá-lo a seu aspeto. E não contente/satisfeito com um, se levantou com média/meia dezena que repartiu entre os presentes.

«Tenho vindo porque não pode ser que tenhamos as mesmas conexões que faz muito tempo, para além de lentas, caras», resolve como se o levasse impresso na memória. EL PERIÓDICO EXTREMADURA acompanhou o percurso/percorrido de Fernando e outros tantos desde Cáceres.

El augúrio de jornada {quijotesca} ia por bom caminho. À dezena de ‘inocentes’ da capital cacerenha se uniram uma trintena em Plasencia que aguardavam também convenientemente caraterizados. Umas quantas {Régulas}, outras tantas ‘meninas raparigas’, dois {Azarías}, um grupo de {tamborileros} e inclusivamente um jovem recluta compunham a legião pintoresca que mostrava uma maneira diferente de manifestar-se. El humor, o instrumento mais antigo para protestar, se {apoderó} do comboio regional e de vários passageiros que, alheios, decidiram somar-se ao debate de seus percalços com em seus trajetos. Como uma lança, cada qual lançava sua lista de incidência. «Vinte minutos de atraso. Meia hora. Uma hora no campo a plenário/pleno sol». Os desvarios deixaram espaço aos cânticos ao coro de ‘Bem-vindo {Mr}. {Marshall}’ e às ordens que elevaram mais tarde enquanto o comboio fez paragem/desempregada/parada em {Atocha} -com vinte minutos de atraso-.

A conta-gotas e rodeados de indiscretos que queriam compreender a motivação do vestimenta, desfilaram pelo corredor. El desenvoltura do ator {Chema} Trujillo fez de guia para os presentes e entre gritos de «{Adif}, {milana} já está aqui» e um «já chega» rotundo à câmara, se {hacinaron} num canto para servir o prato principal: viandas para todos. Um recreio que não desviou ao intérprete para lançar sua alegação. «Tudo isto acontece porque a situação dos caminhos de ferro na Extremadura é desesperante, é um desastre que chegámos a interiorizar como lógico e normal/simples, levamos calando e calando, e dissemos que já não nos calávamos. Vamos caraterizados como ‘Os santos inocentes’ para que Madrid veja que assim nos estão tratando», sentenciou.

Diego Neria, também integrante da plataforma, aproveitou para lamentar a passividade institucional e para reclamar uma infraestrutura decente. «Os responsáveis políticos não fizeram outra coisa que dizer-nos que tenhamos paciência. Acabou-se. O que {reivindicamos} é que nos ouçam que a época do menino Iván se ficou atrás», anotou. Num {cúmulo} de ironia e indignação decorreu a jornada até que os assistentes dissolveram o protesto em plena euforia.

Tanto/golo é por isso a plataforma assegurou sentir-se «aflita» pela receção da iniciativa que qualificaram de «êxito» horas mais tarde num comunicado. Antes, sobre/em relação a o terreno, quem podia ocultar seu entusiasmo era Esther Sánchez, uma das porta-vozes da plataforma e presidenta da Câmara Municipal de São {Gil}. Acumulava espanto e alegria pela capacidade de convocatória. «É surrealista. Os que estão aqui hoje -por ontem- poderiam ter-se ficado em casa ou usufruir da ponte e se têm caraterizado e se têm gastado quase cinquenta euros na viagem para vir a esta {quijotada} maiúscula», anota. José Luis foi outro dos tantos que respirava a mesma emoção. A seus 69 anos, o de Plasencia se calhar era o mais longevo que ontem percorreu a estação de {Atocha}. Com o lembrança dos comboios de madeira, sua filha lhe deu a conhecer a proposta e tardou a mínima que assegurar-se uma vestimenta para assistir. Esclarece que essa Extremadura de ‘Os santos inocentes’ já não existe e acrescenta que a indumentária não é mais que «uma forma de chamar à atenção». Justo este embrulho/envoltório {añejo} serviu ontem para que mais dum tomasse consciencializa da problemática.

O protesto se produz um dia depois de/após que mais de 250 presidentes da câmara municipal tenham rubricado seu acordo/compromisso com o pacto pelo caminho de ferro e do anúncio de {Renfe} que recuperará o Talgo no primeiro trimestre de 2018, um modelo que conta com melhores prestações que o comboio regional. Por enquanto, o périplo da chegada do comboio rápido segue/continua seu curso. El acordo do governo central é que terá comboio rápido em 2019 e que a via estará eletrificada em 2020. Entretanto, segundo publicou este diário/jornal faz uma semana, desde Junho, os comboios que viajam a Extremadura têm sofrido uma trintena de incidências. Isso se traduz numa avaria cada três dias. Ontem pelo menos, após sua breve estadia na capital, os extremenhos que ratificam um sentir comum da região recolheram as malas e voltaram a percorrer o caminho de volta onde pelo menos manifestaram seu mal-estar e cumpriram seu objetivo de ter voz.

As notícias mais...